Pão de Açúcar em risco de fechar? Empresa anuncia plano após auditoria apontar incertezas
Pão de Açúcar em risco? Empresa tem plano após auditoria

Pão de Açúcar enfrenta risco de fechamento após novo prejuízo e auditoria alarmante

A situação financeira do Grupo Pão de Açúcar (GPA) se tornou ainda mais preocupante após a divulgação do balanço do quarto trimestre de 2025. A auditoria realizada pela Deloitte emitiu um alerta grave sobre a capacidade da empresa de manter suas portas abertas, citando especificamente a falta de recursos para honrar uma dívida de R$ 1,7 bilhão com vencimento em 2026. Este montante representa um desafio significativo para a varejista de alimentos, que vem acumulando prejuízos consecutivos.

Prejuízo persistente e queima de caixa preocupam mercado

Os números do último trimestre de 2025 revelaram um prejuízo de 578 milhões de reais para o Pão de Açúcar. Embora represente uma redução de 48% em comparação com o mesmo período do ano anterior, quando as perdas atingiram 1 bilhão de reais, o resultado negativo continua a pressionar o caixa da companhia. O valor disponível em caixa caiu para 1,7 bilhão de reais, uma baixa de 19% em relação ao quarto trimestre de 2024.

A situação se agrava quando se observa a dívida bruta total da empresa, que soma impressionantes 4 bilhões de reais. Este valor é mais que o dobro do montante disponível em caixa, criando um desequilíbrio financeiro preocupante. A auditoria da Deloitte foi enfática ao destacar que a varejista enfrenta dificuldades críticas no endividamento de curto prazo, com um déficit de capital circulante líquido de aproximadamente 1,2 bilhão de reais.

Plano de sobrevivência: negociação, redução e liquidação

Em resposta às incertezas apontadas pela auditoria, a diretoria executiva do Grupo Pão de Açúcar anunciou uma estratégia tripla durante teleconferência realizada nesta quarta-feira, 25 de fevereiro de 2026. O plano inclui negociação direta com credores, redução drástica dos investimentos e liquidação de imóveis que estão em desuso. O objetivo declarado é manter a empresa operacional diante das adversidades financeiras.

Alexandre Santoro, CEO do Grupo Pão de Açúcar, explicou que a empresa já realizou uma rolagem de parte da dívida em novembro, adiando obrigações de curto para longo prazo. "Mesmo assim, estamos muito ativos na discussão com os credores e vamos mostrar para eles que nosso plano e estratégia seguem em perfeito alinhamento", afirmou o executivo durante a apresentação dos resultados.

Medidas concretas para preservar recursos

A empresa adotará medidas rigorosas para reduzir o consumo de caixa:

  • Congelamento de investimentos: Qualquer tipo de plano de investimento (capex) será mantido apenas no papel, com exceção de gastos essenciais como manutenção das lojas e pagamento de funcionários.
  • Liquidação de ativos: O Pão de Açúcar se propõe a vender uma série de imóveis que estavam fechados e sem utilidade para a operação, eliminando custos associados.
  • Negociações fiscais e trabalhistas: A companhia busca melhorar questões referentes ao passivo fiscal e trabalhista, embora reconheça a dificuldade em prever os desfechos dessas tratativas.

Santoro destacou que investimentos em tecnologia e inovação não devem acontecer no cenário atual, priorizando a preservação de recursos. "Nossa projeção para 2026 é de uma melhora, trabalhamos outras iniciativas para buscar trocas de garantias para reduzir o custo financeiro e uma evolução nas negociações de rolagem da dívida", concluiu o CEO.

Reação do mercado e perspectivas futuras

A divulgação dos resultados e do alerta da auditoria impactou imediatamente o mercado. Por volta das 11h da manhã do dia 25, as ações do Pão de Açúcar despencavam 5,11%, negociadas a 2,97 reais. A declaração da Deloitte no balanço do GPA foi contundente: "Estas condições indicam a existência de incerteza relevante que pode levantar dúvida significativa sobre a continuidade operacional da companhia".

O Grupo Pão de Açúcar agora enfrenta o desafio de convencer credores e investidores de que seu plano de recuperação é viável, enquanto lida com uma dívida que supera em mais de duas vezes seu caixa disponível. O sucesso das negociações e a execução eficiente das medidas anunciadas serão determinantes para o futuro da tradicional varejista brasileira.