Parques brasileiros em busca do padrão Disney com investimentos bilionários
Os principais parques temáticos do Brasil estão se preparando para uma transformação histórica, com planos de investimento que somam impressionantes 10 bilhões de reais nos próximos anos. Inspirados no modelo de sucesso de Orlando, na Flórida, empreendimentos como Beto Carrero World, Hopi Hari e o futuro Cacau Park buscam elevar o padrão do entretenimento nacional e disputar o público que tradicionalmente viaja para o exterior em busca de diversão.
O modelo Orlando como referência
Para muitos brasileiros, os parques da Disney representam o padrão ouro do entretenimento familiar. Não por acaso, Orlando se consolidou como o destino internacional mais procurado por turistas do Brasil, segundo dados da Associação Brasileira das Operadoras de Turismo. A fórmula que conquistou o mundo combina:
- Complexos com montanhas-russas e shows temáticos
- Bulevares comerciais com lojas e restaurantes
- Hotéis integrados às atrações
- Experiências que se estendem por vários dias
Agora, os parques brasileiros querem replicar esse modelo bem-sucedido, oferecendo aos visitantes uma experiência mais completa e imersiva.
Beto Carrero World mira crescimento ambicioso
Líder em público no segmento, o catarinense Beto Carrero World recebeu 2,7 milhões de visitantes no último ano e tem planos audaciosos de expansão. Segundo Alexandre Murad, presidente do grupo, a meta é alcançar 5 milhões de frequentadores até 2030.
Para isso, estão sendo mobilizados 2 bilhões de reais em investimentos, incluindo 800 milhões dedicados à construção de três hotéis com 200 apartamentos cada. "As acomodações da nossa região estão no limite e não ter hotéis próprios é frustrante", explica Murad, destacando a importância da hospedagem integrada para o crescimento do parque.
Hopi Hari: de recuperação judicial à expansão milionária
O segundo parque mais frequentado do país, localizado em Vinhedo, no interior de São Paulo, vive um momento de transformação radical. Após enfrentar sérias dificuldades financeiras que culminaram em recuperação judicial em 2016, o Hopi Hari foi adquirido pelo grupo americano Brooklyn International e agora planeja investimentos que podem chegar a 5 bilhões de reais.
Nuno Vasconcellos, responsável pela estratégia do parque, revela que a primeira fase de expansão consumirá quase 300 milhões de reais, com planos para hotéis e um bulevar comercial integrados ao complexo. "Vamos ser o maior empreendimento turístico do Brasil", projeta Vasconcellos, que aguarda apenas o aval da prefeitura de Vinhedo para iniciar as obras.
Novos players e expansão do setor
A aposta em hospedagem própria tem se mostrado uma tendência crescente no setor. Dados revelam que a parcela de parques que oferecem acomodações subiu de 17,5% para 25,7% apenas no último ano, refletindo a estratégia de atrair visitantes de outros estados.
Entre os novos empreendimentos, destaca-se o Cacau Park, projeto de Alexandre Costa, proprietário da marca de chocolates Cacau Show. Com inauguração prevista para dezembro de 2027 em Itu, o parque promete oferecer atrações equivalentes às encontradas em Orlando, mas com custos mais acessíveis. "Será muito mais barato e simples ir ao Cacau Park do que à Disney", afirma Costa, que já investiu 2,5 bilhões de reais no projeto.
Mudança no perfil do público
Atualmente, a maioria dos frequentadores de parques temáticos no Brasil pertence às classes B e C, com renda domiciliar entre 2.900 e 22.000 reais. No entanto, os novos projetos têm como alvo principal o público de renda mais alta, que tradicionalmente opta por viagens internacionais.
O desafio será convencer esses consumidores de que a melhor diversão pode ser encontrada dentro do próprio país. Com investimentos massivos em novas atrações, infraestrutura e hospedagem, os parques brasileiros buscam não apenas aumentar seu público, mas também elevar significativamente a qualidade da experiência oferecida.
Esta revolução no entretenimento nacional representa uma oportunidade histórica para o turismo brasileiro, com potencial para reter milhões de reais que atualmente são gastos em viagens ao exterior e criar milhares de empregos no setor de lazer e hospitalidade.



