Disputa bilionária por Warner Bros. Discovery ganha novo capítulo com proposta da Paramount
A Warner Bros. Discovery (WBD) anunciou nesta terça-feira (24) que recebeu uma nova proposta de aquisição da Paramount Skydance, fato que pode levar a empresa a reconsiderar seu acordo previamente estabelecido com a Netflix. Este desenvolvimento representa o episódio mais recente de uma intensa disputa corporativa que tem reverberado profundamente em Hollywood e nos meios de comunicação dos Estados Unidos, atraindo inclusive a atenção do ex-presidente Donald Trump.
Detalhes financeiros da nova oferta da Paramount
O conselho de administração da WBD emitiu um comunicado afirmando que "é razoável esperar" que a proposta apresentada pela Paramount resulte em uma oferta superior à atualmente firmada com a Netflix. Concretamente, a Paramount elevou seu valor de oferta para US$ 31 por ação da Warner, um aumento em relação aos US$ 30 por ação da proposta anterior. Quando considerada a dívida existente da WBD, a transação completa é avaliada em aproximadamente US$ 110 bilhões, configurando uma das maiores operações do setor de entretenimento.
Além do valor por ação, a Paramount assumiu compromissos financeiros significativos para tornar sua oferta mais atraente. A empresa se comprometeu a arcar integralmente com a multa de US$ 2,8 bilhões que a WBD teria obrigação de pagar à Netflix caso decida romper o acordo existente. Adicionalmente, a Paramount prometeu uma compensação de US$ 7 bilhões à Warner Bros. Discovery se a operação de fusão não for concluída devido a entraves ou rejeições regulatórios.
Diferenças estruturais entre as propostas e o cenário político
É crucial destacar que a proposta da Netflix, avaliada em cerca de US$ 83 bilhões, não inclui os ativos de televisão linear dos estúdios Warner Bros., como os renomados canais CNN e Discovery. Sob os termos do acordo com a plataforma de streaming, esses ativos seriam transferidos para uma nova empresa que seria listada em bolsa de valores. Em contraste, a oferta da Paramount abrange uma estrutura mais ampla.
O conselho da WBD enfatizou que ainda não tomou uma decisão final sobre qual oferta considera superior. Caso a companhia opte pela proposta rival da Paramount, a Netflix terá um prazo de quatro dias úteis para apresentar uma contraproposta revisada e potencialmente mais vantajosa.
As negociações ocorrem em um contexto de forte interesse político. A Paramount é comandada por David Ellison, e a operação é financiada principalmente por seu pai, Larry Ellison, fundador da Oracle e conhecido aliado próximo de Donald Trump. O ex-presidente já declarou publicamente sua intenção de se "envolver" em qualquer decisão relacionada a esta fusão. Caso a Paramount vença a disputa, a emissora CNN — alvo frequente de críticas de Trump durante seu mandato — passaria ao controle da família Ellison.
Posicionamento das empresas e próximos passos
Em declarações anteriores, a WBD havia informado que a Paramount fez uma nova proposta, mas reafirmou que o acordo com a Netflix permanecia válido e que os membros do conselho ainda demonstravam preferência inicial pela operação com a empresa de streaming. No entanto, as negociações com a Paramount seguem em andamento e ativas.
O Departamento de Justiça dos Estados Unidos já iniciou a avaliação da oferta apresentada pela Netflix, um processo regulatório padrão para operações desta magnitude. Em entrevista à BBC Radio 4, o diretor-executivo da Netflix, Ted Sarandos, buscou despolitizar as discussões, afirmando: "Este é um acordo comercial. Não é um acordo político." Sua declaração contrasta com as percepções públicas e o histórico de críticas à Paramount, que após a compra da CBS foi acusada de promover mudanças editoriais mais alinhadas ao governo Trump.
A disputa permanece em aberto, com o conselho da Warner Bros. Discovery analisando minuciosamente os aspectos financeiros, estratégicos e regulatórios de cada proposta, enquanto o mercado aguarda ansiosamente o desfecho que redefinirá o panorama do entretenimento global.



