Investimento em ouro cai 5% no 1º trimestre apesar de recorde histórico
Investimento em ouro cai 5% no 1º trimestre

O ouro, tradicionalmente visto como um porto seguro em tempos de turbulência nos mercados financeiros, registrou uma queda de 5% nos volumes de investimento no primeiro trimestre de 2025, de acordo com dados divulgados pelo Conselho Mundial do Ouro na quarta-feira (29). Apesar de o metal ter atingido uma máxima histórica em janeiro, quando a busca por proteção aumentou devido à fraqueza do dólar e às incertezas em torno da política econômica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, o cenário mudou nos meses seguintes.

Saídas de capital em março

O relatório do Conselho Mundial do Ouro aponta que "fortes saídas de capital em março reverteram grande parte das entradas de janeiro e fevereiro" nos fundos negociados em bolsa (ETFs) de ouro, uma forma popular e simples de investir no metal. Esse movimento foi observado principalmente em fundos baseados nos Estados Unidos. Segundo Juan Carlos Artigas, especialista do Conselho Mundial do Ouro, o ouro costuma ser um dos primeiros ativos vendidos quando investidores precisam levantar recursos rapidamente. "Muitas vezes, como o ouro é tão amplamente aceito, ele é a primeira coisa a ser vendida quando é preciso ter acesso a dinheiro ou liquidez", explicou Artigas.

Tensões no Oriente Médio

O cenário de instabilidade se intensificou após ataques de Israel e dos EUA ao Irã. Em resposta, Teerã bloqueou o trânsito pelo Estreito de Ormuz, rota por onde passa cerca de 20% da produção mundial de petróleo. Essa medida fez os preços do petróleo e do gás dispararem, aumentando a volatilidade nos mercados e levando muitos investidores a buscar recursos para cobrir perdas ou ajustar suas posições. Além disso, a expectativa de que o Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA) eleve as taxas de juros para conter a inflação fortalece o dólar e tende a tornar o ouro mais caro para investidores que utilizam outras moedas, pressionando ainda mais a demanda.

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Valor das aquisições sobe 62%

Apesar da queda no volume comprado, o valor das aquisições de ouro subiu 62% no trimestre, refletindo a forte alta dos preços do metal. O ouro chegou a quase US$ 5.600 por onça no fim de janeiro e registrou uma média de US$ 4.873 por onça ao longo do trimestre. No entanto, os preços elevados reduziram a demanda por joias, uma vez que o custo mais alto desestimula os consumidores. O setor joalheiro também foi afetado pelo conflito no Oriente Médio, já que a região é um importante centro logístico para o transporte desses produtos.

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