Grupo Pão de Açúcar busca recuperação financeira com acordo extrajudicial de R$ 4,5 bilhões
O Grupo Pão de Açúcar (GPA), responsável pela rede de supermercados homônima, informou nesta terça-feira (10) que firmou um acordo com seus principais credores para apresentar um plano de recuperação extrajudicial. A medida envolve aproximadamente R$ 4,5 bilhões em dívidas e tem como objetivo reorganizar as finanças da empresa sem necessidade de recorrer à recuperação judicial, processo que ocorre na Justiça e costuma ser mais longo e complexo.
O que é recuperação extrajudicial e como funciona
A recuperação extrajudicial é um acordo em que uma empresa renegocia parte de suas dívidas diretamente com credores, fora do âmbito judicial. O objetivo principal é ganhar prazo ou obter melhores condições de pagamento para reorganizar as finanças e evitar problemas mais graves, como a falência, mantendo as operações da empresa funcionando normalmente.
O plano anunciado pelo GPA tem efeito imediato e prazo inicial de 90 dias. É importante destacar que dívidas com fornecedores, parceiros, clientes e obrigações trabalhistas não fazem parte deste plano e, portanto, não serão afetadas. Na prática, isso significa que as 728 lojas da companhia seguirão abertas e funcionando normalmente em todo o Brasil.
Contexto da crise financeira do Grupo Pão de Açúcar
O Grupo Pão de Açúcar tem enfrentado dificuldades financeiras há anos, reflexo de uma série de fatores que impactaram negativamente os resultados da companhia. Entre os principais elementos que contribuíram para esta situação estão:
- A baixa demanda observada em períodos de alta inflação de alimentos
- O nível elevado dos juros por tempo prolongado, que afetou os resultados devido ao alto grau de endividamento da empresa
- Custos significativos com mudanças internas na gestão da companhia
- Pagamentos de dívidas fiscais e trabalhistas acumuladas
- Reconhecimento de perdas em lojas com baixo desempenho operacional
Diante deste cenário desafiador, a empresa — que já vinha reportando prejuízos líquidos anuais desde 2022 — alertou investidores ao informar, no resultado do último trimestre do ano passado, que havia dúvidas sobre sua capacidade de dar continuidade às operações. Segundo nota explicativa divulgada pela companhia, o grupo apresentava um déficit de aproximadamente R$ 1,2 bilhão no final do ano passado, resultado principalmente de empréstimos e títulos de dívida com vencimento em 2026.
Mudanças na gestão e estrutura acionária
O GPA passou por transformações relevantes no ano passado, com o Grupo Coelho Diniz assumindo como principal acionista com participação de 24,6%. O grupo francês Casino, que já foi controlador da companhia, ainda detém uma fatia de 22,5% do capital. Em outubro, o empresário André Coelho Diniz foi eleito presidente do conselho de administração, e na sequência, o presidente-executivo Marcelo Pimentel renunciou ao cargo que ocupava desde 2022.
No início de 2026, Alexandre de Jesus Santoro foi eleito como diretor-presidente da companhia, assumindo a liderança executiva em um momento crítico para a organização. Em 2025, a companhia registrou um prejuízo líquido das operações continuadas de cerca de R$ 651 milhões, encerrando o exercício com uma dívida líquida de R$ 2 bilhões, enquanto a dívida bruta total somava R$ 4 bilhões.
Detalhes do plano de recuperação extrajudicial
Segundo informações divulgadas pela companhia, o plano foi aprovado por unanimidade pelo conselho de administração e já recebeu o apoio de credores que detêm 46% dos créditos incluídos no processo — um montante equivalente a cerca de R$ 2,1 bilhões. Este percentual supera o mínimo exigido pela legislação brasileira para dar início a este tipo de negociação.
O acordo prevê a suspensão temporária dos pagamentos dessas dívidas enquanto a empresa negocia novas condições para quitar suas obrigações financeiras. A companhia pretende conseguir apoio da maioria dos credores e chegar a uma solução definitiva para reorganizar seu endividamento de forma sustentável.
Em comunicado oficial ao mercado, o GPA afirmou que a iniciativa busca melhorar o perfil da dívida e fortalecer o balanço da companhia, criando condições para resolver problemas de liquidez no curto prazo e garantir a sustentabilidade financeira no longo prazo. A empresa também reafirmou que suas operações seguirão normalmente e que está em dia com pagamentos a fornecedores e parceiros comerciais.
O plano foi estruturado especificamente para preservar a operação do negócio enquanto as negociações com credores avançam, demonstrando o compromisso da administração em manter a continuidade das atividades da rede de supermercados que inclui marcas como Pão de Açúcar, Extra Mercado, Mini Extra e Minuto Pão de Açúcar.



