Boletim Focus mantém projeções estáveis para economia brasileira em 2026
Focus mantém projeções estáveis para economia em 2026

Projeções econômicas permanecem estáveis no Boletim Focus de março

As previsões do mercado financeiro para os principais indicadores da economia brasileira em 2026 se mantiveram estáveis na edição desta segunda-feira (9) do Boletim Focus, pesquisa semanal do Banco Central que reúne estimativas de instituições financeiras. A estabilidade reflete um cenário de relativa calma nos indicadores, com projeções consolidadas para crescimento, inflação e câmbio.

Crescimento econômico com perspectivas moderadas

A estimativa para o crescimento da economia brasileira em 2026 foi mantida em 1,82%, indicando uma expansão moderada. Para 2027, a projeção do Produto Interno Bruto (PIB) – que representa a soma de todos os bens e serviços produzidos no país – ficou em 1,8%. Já para 2028 e 2029, o mercado financeiro prevê uma expansão de 2% em ambos os anos.

Em 2025, a economia brasileira cresceu 2,3%, segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse resultado marcou o quinto ano consecutivo de crescimento, com avanço em todos os setores e destaque especial para a agropecuária, que continuou a impulsionar a atividade econômica nacional.

Inflação dentro da meta e expectativas de controle

A projeção do mercado financeiro para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a inflação oficial do país, também se manteve em 3,91% para 2026. Para 2027, a previsão foi ajustada levemente, passando de 3,79% para 3,8%. Já para 2028 e 2029, a expectativa é de inflação de 3,5% em ambos os anos.

A estimativa para a inflação em 2026 permanece dentro da meta definida pelo Conselho Monetário Nacional, que tem como objetivo manter a inflação em 3%, com uma margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para mais ou para menos. Assim, o limite inferior é de 1,5% e o superior, de 4,5%.

Em janeiro, o aumento nos preços da energia elétrica e da gasolina fez com que a inflação do mês fechasse em 0,33%, o mesmo índice registrado em dezembro. Segundo o IBGE, esse resultado levou o IPCA a acumular alta de 4,44% em 2025. O índice de inflação referente a fevereiro será divulgado na próxima quinta-feira (12) pelo instituto.

Câmbio e taxa de juros com ajustes nas projeções

Nesta edição do Boletim Focus, a previsão para a cotação do dólar no fim de 2026 permanece em R$ 5,41. Para o final de 2027, a estimativa é que a moeda norte-americana esteja em R$ 5,50. No mercado, o dólar apresentou movimentos moderados nesta segunda-feira, com fluxo comercial positivo influenciando as cotações.

Para controlar a inflação, o Banco Central utiliza principalmente a taxa básica de juros, a Selic, atualmente fixada em 15% ao ano pelo Comitê de Política Monetária (Copom). Mesmo com a queda recente da inflação e do dólar, o colegiado manteve os juros inalterados pela quinta reunião consecutiva, na decisão tomada no fim de janeiro. Esse é o maior nível da taxa desde julho de 2006, quando estava em 15,25% ao ano.

Em ata, o Copom indicou que pode iniciar a redução dos juros na reunião de março, caso a inflação permaneça sob controle e não haja mudanças inesperadas no cenário econômico. Ainda assim, a tendência é de manutenção dos juros em níveis considerados restritivos.

Projeções ajustadas para a Selic nos próximos anos

As projeções do mercado para a Selic também foram ajustadas. A estimativa passou de 12% para 12,13% ao ano no final de 2026. Para 2027 e 2028, a expectativa é de queda para 10,5% e 10% ao ano, respectivamente. Em 2029, a previsão é de que a taxa chegue a 9,5% ao ano.

Quando o Copom eleva a Selic, o objetivo é reduzir o consumo e conter pressões inflacionárias. Juros mais altos tornam o crédito mais caro e incentivam a poupança, o que tende a desacelerar a atividade econômica. Além da Selic, os bancos consideram outros fatores para definir as taxas cobradas dos consumidores, como risco de inadimplência, custos operacionais e margem de lucro.

Por outro lado, quando a Selic é reduzida, o crédito tende a ficar mais barato. Isso estimula o consumo e os investimentos, o que pode impulsionar a atividade econômica, mas também diminui o controle sobre a inflação, exigindo um equilíbrio cuidadoso das políticas monetárias.