Fim da escala 6×1 pode reduzir PIB em até 0,32 ponto, aponta estudo do IBEVAR-FIA
Fim da escala 6×1 pode reduzir PIB em até 0,32 ponto

Estudo alerta para impacto econômico do fim da escala 6×1 no Brasil

Enquanto a pauta do fim da escala 6×1 avança no cenário político brasileiro, um novo estudo do IBEVAR-FIA Business School revela as potenciais consequências econômicas dessa mudança trabalhista. A pesquisa calcula que a redução da jornada semanal para 40 horas poderia diminuir em até 0,32 ponto percentual o Produto Interno Bruto (PIB) do país, com efeitos mais pronunciados no setor varejista.

Impacto direto no varejo e na geração de riqueza

O estudo parte da análise do impacto direto sobre o varejo, setor que representa aproximadamente 7% da economia brasileira. Segundo os cálculos, a redução das horas trabalhadas, sem ganhos imediatos de produtividade, poderia diminuir entre 3,6% e 6,1% o valor adicionado das empresas. Esta medida é crucial, pois representa a riqueza efetivamente gerada pelas operações comerciais.

Para Claudio Felisoni, presidente do IBEVAR e professor da FIA, a mudança na escala de trabalho 6×1 possui implicações que transcendem a esfera trabalhista. "No curto prazo, a redução das horas trabalhadas tende a diminuir a geração de riqueza no varejo, com reflexos mensuráveis no PIB", afirma o especialista, destacando a importância de considerar esses efeitos econômicos.

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Variações por segmento e porte das empresas

A pesquisa considera uma queda de 9,1% nas horas trabalhadas, mantendo a produtividade constante no curto prazo, estrutura de capital inalterada e nível de emprego estável. Nesse cenário, a redução da jornada tende a diminuir a produção e, consequentemente, a geração de renda.

Os efeitos variam significativamente conforme o segmento e o porte das empresas:

  • Em supermercados, a queda estimada é de 5,9% nas pequenas lojas e 5% nas grandes redes
  • No setor de vestuário e calçados, o impacto pode alcançar 6,1% nas pequenas lojas
  • Concessionárias, postos de combustíveis e lojas de material de construção registrariam perdas entre 3,6% e 5,6%, dependendo do tamanho da operação

Empresas de menor porte seriam proporcionalmente mais afetadas, por dependerem mais intensamente da mão de obra direta. Redes maiores, que contam com escala e tecnologia, apresentariam perdas menores, porém ainda relevantes para o conjunto da economia.

Contexto mais amplo e considerações futuras

O estudo do IBEVAR-FIA não considera possíveis ganhos de produtividade no médio prazo, reorganização operacional ou aumento de contratações, fatores que poderiam alterar os resultados ao longo do tempo. Entretanto, a pesquisa se alinha a alertas anteriores de entidades como Fecomércio e CNI, que já haviam calculado que a redução da jornada sem corte de salários poderia elevar custos, pressionar a inflação e afetar empregos formais.

Esta análise surge em um momento crucial, quando o debate sobre direitos trabalhistas ganha força no Brasil, exigindo um equilíbrio cuidadoso entre melhorias nas condições de trabalho e a manutenção da saúde econômica do país. O setor varejista, como demonstrado, seria particularmente sensível a essas mudanças, com reflexos que se estenderiam para toda a economia nacional.

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