Uma análise interna do governo federal projeta uma verdadeira batalha entre gigantes globais pela concessão do Tecon Santos 10 (STS10), a megaterminal projetada para ser a maior do Porto de Santos. O documento, obtido pelo Radar Econômico, detalha o interesse de grandes grupos portuários internacionais, indicando uma disputa robusta mesmo com a ausência da MSC e com as medidas concorrenciais impostas pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq).
Lista de gigantes interessados no leilão
O material governamental mapeia empresas que possuem tanto o interesse quanto a aderência aos rigorosos requisitos do edital. Entre os nomes destacados estão pesos pesados do setor, como a China Merchants Port Group, que movimentou impressionantes 151 milhões de TEUs (contêineres) entre 2024 e 2025 e atua em 26 países.
A lista também inclui a PSA International, com 105 milhões de TEUs e presença em 45 nações, e a Hutchison Port Holdings, responsável por 87,5 milhões de TEUs e operações em 24 países. Outros operadores globais e nacionais completam o quadro de potenciais concorrentes.
Regras para evitar concentração de mercado
O desenho do edital estabelece uma cláusula importante: empresas que já possuem contratos no Porto de Santos só poderão participar do leilão se nenhuma concorrente ainda sem vínculo com o porto se habilitar. Esta medida, endossada pelo Tribunal de Contas da União (TCU), visa conter os efeitos da alta concentração observada no mercado portuário brasileiro.
O TCU não apenas referendou a estrutura do leilão, mas também registrou recomendações para a implementação de medidas concorrenciais adicionais, incluindo a restrição à participação de armadores na fase inicial do processo.
Pressão política e risco de atrasos
Nos bastidores, interlocutores do setor avaliam que, embora a licitação tenda a ser extremamente concorrida, ela pode enfrentar atrasos significativos. A pressão para alterar a restrição prevista na primeira fase do leilão é um ponto de discórdia, defendido por alguns grupos interessados no ativo e criticado por aqueles que enxergam um risco real de maior concentração no mercado.
Dentro do próprio governo, o ministro Rui Costa emerge como o principal opositor do certame. Relatos indicam que, no início de fevereiro, ele teria afirmado em reunião com o presidente Lula e com o ministro de Portos e Aeroportos que trabalharia ativamente contra a realização do leilão caso a restrição fosse mantida.
Atenção internacional sobre o caso
O tema também ganhou relevância no cenário internacional. Em 2025, a Comissão Europeia abriu uma investigação aprofundada sobre a aquisição de controle conjunto de um terminal no porto de Barcelona por uma empresa do grupo MSC e a Hutchison Ports. A investigação citou preocupações preliminares com possíveis impactos nos preços, na qualidade dos serviços e no tratamento preferencial, demonstrando a sensibilidade regulatória em torno de operações portuárias de grande escala.
Apesar dos ruídos políticos em Brasília e das controvérsias regulatórias, a apresentação interna do governo federal deixa claro que o leilão do Tecon Santos 10 está destinado a atrair uma concorrência feroz. A disputa promete envolver alguns dos maiores nomes da logística global, em um processo que pode redefinir a dinâmica do principal porto exportador do Brasil.



