Caixa Econômica Federal projeta carteira de crédito de R$ 1,5 trilhão para primeiro semestre de 2026
Durante entrevista coletiva realizada nesta quinta-feira (05) na capital paulista, o presidente da Caixa Econômica Federal, Carlos Vieira, anunciou que a carteira de crédito da instituição deve atingir a marca histórica de R$ 1,5 trilhão ainda no primeiro semestre deste ano. "Vai chegar a R$ 1,5 trilhão, vamos comemorar esse número certamente ainda no primeiro semestre", afirmou Vieira ao comentar o desempenho do banco em 2025.
Desempenho recorde em 2025 e projeções para 2026
No ano passado, a Caixa somou R$ 1,38 trilhão em sua carteira de crédito, representando uma expansão significativa de 11,5% em relação a 2024. Os principais destaques desse crescimento foram o financiamento imobiliário, que cresceu 13%, o crédito comercial a pessoas jurídicas (14,2%) e o crédito comercial a pessoas físicas (13,4%).
Para 2026, o banco espera uma expansão entre 9% e 13% para sua carteira de crédito, mantendo o ritmo de crescimento observado nos últimos anos. Além disso, a instituição registrou em 2025 um lucro líquido recorrente recorde de R$ 15,5 bilhões, desempenho 10,4% superior ao apurado no ano anterior.
Possível aquisição de ativos do Banco de Brasília
Durante a coletiva, o presidente da Caixa também abordou a possibilidade do banco adquirir ativos do Banco de Brasília (BRB). "A Caixa olha para toda essa situação como um banco qualquer de mercado, que se tiver alguma carteira que interesse, vai discutir", declarou Vieira.
Na última terça-feira, a Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou um projeto de capitalização do banco estatal de Brasília para cobrir prejuízos relacionados às operações com o Banco Master, alvo de liquidação extrajudicial pelo Banco Central. O projeto autoriza o DF a capitalizar o banco e a contratar empréstimo de até R$ 6,6 bilhões com o Fundo Garantidor de Créditos (FGC) ou com outras instituições financeiras, além de oferecer nove imóveis públicos para venda, transferência ao banco ou estruturação em fundo imobiliário.
Fundo Garantidor de Créditos e situação do agronegócio
Em fevereiro, o conselho do Fundo Garantidor de Crédito (FGC) aprovou um plano emergencial para recompor o caixa após o impacto financeiro provocado pela liquidação do Banco Master. Questionada sobre o tema, a diretoria da Caixa informou que não prevê que a recomposição do patrimônio do FGC possa trazer impactos sobre seu balanço.
"Estamos fazendo conta, mas não temos expectativa de que isso venha impactar o balanço a partir da resolução do Banco Central, que permitiu acessar os compulsórios", afirmou Marcos Brasiliano, vice-presidente financeiro da Caixa.
Brasiliano também comentou sobre a inadimplência do setor do agronegócio, que chegou a 14,09% no último trimestre de 2025. Segundo ele, este é um problema que tem sido enfrentado por todo o mercado, com o governo tendo aprovado uma linha de crédito no ano passado para liberar R$ 12 bilhões para produtores rurais liquidarem ou amortizarem suas dívidas.
Henriete Sartori, vice-presidente de risco da Caixa, explicou que a estratégia do banco é manter a carteira do agro perto do patamar atual, de R$ 62,9 bilhões. "No primeiro trimestre a gente espera observar um platô, até porque temos as safras", disse Henriete, acrescentando que a expectativa da instituição é de que agora comece a ocorrer uma certa estabilização na inadimplência do setor.
