CEO do Airbnb revela: Brasil é laboratório de inovações para a plataforma global
Brasil é laboratório de inovações para Airbnb, diz CEO

Em entrevista exclusiva, Brian Chesky, cofundador e presidente do Airbnb, revelou que o Brasil se tornou um dos mercados mais importantes e um verdadeiro laboratório de inovações para a plataforma global de hospedagem. Com 44 anos e formação em desenho industrial, Chesky fundou a empresa em 2008 e hoje vê o país como peça-chave no crescimento da receita, que superou os 80 bilhões de dólares em valor de mercado.

Brasil: de top 10 para top 5 e rumo ao top 3 mundial

Chesky destacou que o Brasil evoluiu de uma posição entre os dez principais mercados para figurar entre os cinco primeiros, com projeção de se tornar o segundo ou terceiro país em importância para o Airbnb. "A adoção de tecnologia no Brasil é muito especial, e o Airbnb é extraordinariamente popular aqui", afirmou o empresário, que não visita o país desde 2012 mas acompanha de perto os dados impressionantes de crescimento.

Estratégias específicas para o mercado brasileiro

Para atender às particularidades do Brasil, o Airbnb implementou adaptações significativas:

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  • Atualização dos instrumentos de pagamento com introdução de parcelamento
  • Investimentos robustos em verificação de identidade e recursos de confiança
  • Foco na segurança, considerada uma questão prioritária no mercado brasileiro

Por que o Brasil virou laboratório de inovações?

Chesky explicou que a escolha do Brasil como campo de testes para novas ideias foi estratégica: "Escolhemos o Brasil em parte porque já estava crescendo rápido, tinha potencial, mas sem tanta concorrência. Era o mercado perfeito: nascente, mas com momentum".

O modelo testado no país incluiu a oferta de experiências locais autênticas, como uma feijoada com aula de samba durante o Carnaval carioca. Essa abordagem bem-sucedida agora será reproduzida em outros países.

Comportamento diferenciado dos usuários brasileiros

Um dado curioso revelado por Chesky: aproximadamente 90% das reservas no Brasil são feitas por brasileiros. "Os estrangeiros ainda não descobriram que o país tem muito a oferecer fora do Rio e São Paulo, mas os brasileiros sabem e exploram muito isso", observou o executivo.

Rebatendo críticas sobre inflação imobiliária

Questionado sobre acusações de que o Airbnb contribui para a alta dos custos de moradia nas cidades, Chesky foi enfático: "Há quem atribua ao Airbnb a alta do custo da moradia. Essa culpa não é nossa. O estoque da empresa representa menos de 2% das unidades residenciais nas cidades".

Sobre a taxação de até 44% sobre aluguéis de temporada aprovada no Brasil e restrições em cidades como Barcelona e Nova York, Chesky destacou que a empresa já coletou mais de 13 bilhões de dólares em impostos de hospedagem ao redor do mundo desde 2014.

Superando a pandemia e expandindo horizontes

A crise sanitária global representou um momento definidor para o Airbnb, que perdeu 80% de suas reservas em apenas oito semanas durante março de 2020. "Voltamos ao básico e reconstruímos a empresa", relembrou Chesky.

As medidas de recuperação incluíram:

  1. Correção de reclamações sobre taxas de limpeza elevadas
  2. Ajuste de preços e otimização do aplicativo
  3. Melhoria no suporte ao cliente

Expansão para experiências e hotéis

Chesky revelou que não queria que sua "melhor ideia" fosse uma que teve aos 26 anos, quando fundou o Airbnb. Por isso, está expandindo a plataforma para se tornar um hub de serviços e experiências.

"Cada vez mais as pessoas percebem que experiências valem mais do que bens materiais, mas não existia um app para isso", explicou. O Airbnb agora oferece desde massagens e chefs particulares até serviços de beleza, com 40% do público sendo composto por locais que buscam experiências em suas próprias cidades.

Surpreendentemente, a plataforma também começou a investir em hotéis, especialmente os independentes ou boutique, que se alinham com a cultura de hospitalidade do Airbnb.

Visão crítica sobre inteligência artificial

Chesky se destaca no Vale do Silício por seu ceticismo em relação à corrida desenfreada pela IA. "Vivemos há cinquenta anos em um mundo de aplicativos. Provavelmente estamos em transição para um mundo de agentes de IA", analisou.

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O Airbnb já utiliza IA para resolver um terço dos tíquetes de suporte ao cliente em inglês, mas Chesky enfatiza que a empresa não é uma "empresa de IA", mas sim uma plataforma que usa IA para conectar pessoas.

Princípios éticos para o desenvolvimento de IA

Chesky compartilhou alguns dos dez princípios que desenvolveu para guiar o uso ético da inteligência artificial:

  • "A autonomia humana é sagrada. A IA trabalha para você. Nunca o contrário"
  • "A tecnologia deve elevar a dignidade humana. IA que corrói a humanidade é IA que fracassou"
  • "Só porque podemos, não significa que devemos. O poder exige contenção"

Crítica às mídias sociais e ao Vale do Silício

Com reflexão profunda, Chesky avaliou que "a rede social foi um dos produtos mais bem-sucedidos do mundo que foi inventado e, depois, desinventado". Ele criticou a transformação das redes sociais em plataformas de performance que ativam dopamina (químico da recompensa) em vez de oxitocina (químico da conexão).

"Há um adágio no Vale do Silício de que o jeito de ganhar dinheiro na internet é monetizar os sete pecados capitais. Infelizmente é verdade", lamentou Chesky, defendendo que sua empresa promova "conexões e experiências humanas positivas — e amor".

O executivo finalizou com um alerta sobre a construção do mundo digital: "Cidades foram erguidas por muitos tipos de pessoa. O mundo digital está sendo construído por poucos tipos de pessoa. E isso não é bom nem para os engenheiros".