Juan Carlos Escotet: o bilionário venezuelano que dobrou fortuna em meio à crise
Bilionário venezuelano dobra fortuna em 2025

Enquanto a Venezuela enfrenta uma das piores crises econômicas de sua história, marcada por hiperinflação, sanções internacionais e instabilidade política, um nome se destaca na lista de bilionários da Forbes: Juan Carlos Escotet. O fundador do banco transnacional Banesco é o único venezuelano a figurar entre os mais ricos do mundo, com um patrimônio líquido estimado em US$ 7,4 bilhões, o equivalente a cerca de R$ 40 bilhões.

Um contraste marcante na economia venezuelana

A edição de 2025 da lista da Forbes evidenciou um paradoxo gritante. Apesar de o país abrigar uma das maiores reservas de petróleo do planeta, nenhum magnata do setor petrolífero aparece entre os bilionários. A fortuna de Escotet, construída no setor financeiro, dobrou em apenas um ano, saltando de aproximadamente R$ 20 bilhões em 2024 para os atuais R$ 40 bilhões. Esse crescimento exponencial ocorre em um contexto nacional de empobrecimento acelerado da população.

O empresário ganhou ainda mais visibilidade após os eventos do último sábado, 3 de janeiro de 2026, quando a capital Caracas foi palco de uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos. A ação resultou na captura do ex-ditador Nicolás Maduro e de sua esposa, levados a Nova York para responder a acusações de tráfico internacional de drogas. Enquanto o país vive sob tensão política, o império financeiro de Escotet segue em expansão.

Da função de office-boy ao império bancário transnacional

A trajetória de Juan Carlos Escotet no mundo das finanças começou de forma humilde. Aos 17 anos, ele iniciou a carreira como office-boy no Banco Unión. Após se formar em economia em 1986, fundou uma corretora financeira que, anos mais tarde, se fundiria com a própria instituição onde deu seus primeiros passos profissionais. Essa fusão foi a pedra fundamental do que se tornaria um dos maiores grupos bancários de origem venezuelana.

A internacionalização do Banesco acelerou-se a partir de 2012, com a aquisição do tradicional Banco Echevarría, na Espanha, seguida pela compra do Abanca. Em 2024, o grupo consolidou sua presença na Europa ao assumir as operações do francês Crédit Mutuel em território espanhol. A expansão não parou: em dezembro de 2025, a subsidiária norte-americana do Banesco anunciou a aquisição de uma carteira de investimentos da Small Business Administration (SBA) no valor de US$ 95 milhões, reforçando sua atuação na Flórida e em Porto Rico.

Um bilionário em um país em crise

No ranking global da Forbes, Juan Carlos Escotet ocupa atualmente a 430ª posição. Sua ascensão financeira é um caso único em um país onde a economia formal encolhe a cada ano. A Venezuela vive uma hiperinflação persistente, agravada por sanções econômicas internacionais que limitam suas exportações de petróleo, principal commodity nacional.

O caso de Escotet ilustra como o setor financeiro pode florescer mesmo em ambientes macroeconômicos adversos, especialmente através de uma estratégia agressiva de expansão internacional. Enquanto a maioria dos venezuelanos enfrenta dificuldades extremas, o fundador do Banesco construiu e ampliou um império que transcende as fronteiras e as crises de seu país de origem, representando um fenômeno à parte na conturbada realidade econômica venezuelana.