Banco Central reduz Selic para 14,5% ao ano em meio a conflito no Oriente Médio
BC reduz Selic para 14,5% ao ano

O Banco Central do Brasil reduziu a taxa básica de juros da economia, a Selic, em 0,25 ponto percentual na noite desta quarta-feira, 29, levando-a para 14,5% ao ano. A decisão, tomada pelo Comitê de Política Monetária (Copom), deu continuidade ao ciclo de cortes iniciado em março, quando houve uma redução de igual magnitude. A votação foi unânime entre os seis membros participantes e alinhada às expectativas do mercado financeiro.

Contexto econômico e pressões inflacionárias

As tensões inflacionárias globais, impulsionadas pelo conflito entre Estados Unidos e Israel contra o Irã, estão entre as principais preocupações do Banco Central. Antes da eclosão da guerra, em fevereiro, o mercado financeiro considerava possível a adoção de cortes mais expressivos na Selic. No entanto, o conflito, que interditou o Estreito de Ormuz – por onde passam 20% do petróleo mundial –, alterou drasticamente as projeções.

Em janeiro, o Copom comunicou que, confirmando-se o cenário esperado, a flexibilização da política monetária começaria em março, o que de fato ocorreu. A guerra no Irã e a escalada do preço do petróleo, contudo, inspiraram cautela e reduziram a intensidade do ciclo de cortes, mas não o interromperam. O Banco Central ainda encontrou motivos suficientes para aliviar os juros, que permanecem em nível bastante restritivo.

Banner largo do Pickt — app de listas de compras colaborativas para Telegram

Expectativas do mercado financeiro

Instituições como Itaú BBA, Inter e XP Investimentos já previam o corte de 0,25 ponto percentual. Apesar da incerteza persistente sobre a guerra no Oriente Médio, analistas destacam que a recente queda do dólar contribui para criar condições favoráveis à continuidade do ciclo de cortes. Desde a última reunião do Copom, a moeda americana desvalorizou-se quase 3,3%, sendo cotada a 5,02 reais.

Dias antes da decisão, o mercado financeiro já havia piorado suas expectativas para a Selic em 2026. O Boletim Focus, que compila a visão de analistas consultados pelo BC, projeta uma taxa básica de juros de 13% ao final do ano. Essa previsão está próxima da estimativa do banco Inter, que espera 12,75%, enquanto a XP Investimentos é ligeiramente mais pessimista, com 13,5%.

Ainda assim, há muita incerteza quanto aos próximos meses, a ponto de algumas instituições evitarem arriscar uma previsão para o fim de 2026. A matéria segue em atualização.

Banner pós-artigo do Pickt — app de listas de compras colaborativas com ilustração familiar