Alckmin projeta alta de 13% nas exportações com acordo Mercosul-UE
Alckmin: exportações subirão 13% com acordo Mercosul-UE

O governo brasileiro projeta um crescimento de 13% nas exportações do país quando o acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia estiver plenamente implementado em 2038, segundo o vice-presidente Geraldo Alckmin. A declaração foi feita às vésperas da entrada em vigor parcial do tratado, prevista para 1º de maio.

Impacto gradual e imediato

“A degravação é gradual, mas você tem aí perto de 5 mil produtos que a partir do dia 1º de maio estão zerados o imposto, então você vai ter aí um impacto importante”, afirmou Alckmin em entrevista a agências internacionais na quarta-feira (22). Para o setor industrial brasileiro, o ganho nas exportações deve chegar a 26% com o acordo, acrescentou o vice-presidente.

A entrada em vigor em 1º de maio ainda é provisória, pois alguns países, como a França, questionaram o acordo no Tribunal de Justiça europeu. Apesar disso, a retirada gradual de tarifas entre os países da UE e do Mercosul começa imediatamente e deve ser concluída em até 12 anos.

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Setores beneficiados e desafios

De acordo com Alckmin, que participou das negociações como ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio até deixar o cargo este mês, setores como frutas, açúcar, carne bovina e de frango, além de alguns tipos de maquinário, podem ter impactos imediatos. No entanto, ele lembrou que as importações brasileiras também devem aumentar.

Atualmente, o comércio entre Brasil e União Europeia – segundo maior parceiro comercial do país, atrás da China – chega a US$ 100 bilhões, com um ligeiro superávit europeu de aproximadamente US$ 500 milhões. Um estudo da Agência Brasileira de Promoção de Exportações (Apex) aponta para um incremento de até US$ 1 bilhão na balança comercial brasileira já no primeiro ano de vigência do acordo.

Além disso, uma pesquisa do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea) indica que as reduções de tarifas e as cotas de exportação podem gerar um aumento de 0,46% no Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro entre 2024 e 2040, o equivalente a mais de US$ 9,3 bilhões.

Salvaguardas e críticas

Apesar do otimismo, a adoção de salvaguardas rígidas pelos europeus, que preveem a suspensão das importações em caso de aumento de 5% acima da média dos últimos três anos, irritou o setor agrícola brasileiro e levou o Brasil a aprovar medidas semelhantes. “A salvaguarda vale para os dois lados. Então, se tiver um pico de importação, tanto o Mercosul quanto os países da União Europeia podem pedir uma suspensão temporária. É um acordo equilibrado”, afirmou Alckmin.

Novos acordos e expansão do Mercosul

Desde 2013 sem assinar acordos comerciais, o Mercosul avançou nas negociações nos últimos anos, fechando tratados também com Singapura e o bloco europeu Efta (Suíça, Noruega, Liechtenstein e Islândia). Segundo o vice-presidente, ainda é possível que até o fim deste ano sejam assinados novos acordos com os Emirados Árabes Unidos e o Canadá.

Além disso, o próprio Mercosul pode crescer. Além da Bolívia, que está em processo de adesão às regras do bloco, a Colômbia demonstrou interesse em participar. A Venezuela, atualmente suspensa, também pode retornar, disse Alckmin. “A Venezuela está suspensa do Mercosul, mas à medida que está vivendo outro momento agora, isso será rediscutido”, afirmou.

Relações com os Estados Unidos

Enquanto celebra o início do acordo com a UE, o governo brasileiro continua tentando negociar avanços com os Estados Unidos. Apesar de a maioria das tarifas norte-americanas terem caído após uma decisão da Suprema Corte dos EUA, os setores de aço, alumínio e cobre continuam com tarifas de 50%, aplicadas globalmente, e o setor de automóveis e autopeças, com 25%.

Além disso, o Brasil está sob duas investigações na seção 301 da lei de comércio norte-americana. Uma delas, que envolve dezenas de países, trata do uso de trabalho escravo; a outra, exclusiva sobre o Brasil, inclui investigações sobre o Pix, desmatamento e ambiente digital de negócios. Ambas podem ser usadas pelos EUA para retomar tarifas de 50%. Na semana passada, uma comitiva brasileira esteve nos EUA para negociações sobre essas investigações.

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“Nós prestamos todos os esclarecimentos. E, se precisar, faremos outros”, disse Alckmin, sem detalhar as reuniões em Washington. “A boa química que foi estabelecida entre o presidente Lula e o presidente Trump nós defendemos que continue. A gente pode ter muita parceria na área tarifária, tem espaço na área tarifária e não tarifária”, concluiu.