Ibovespa cai 1,03% com baque em bancos e plano de Trump para petróleo venezuelano
Ibovespa recua 1,03% com queda do setor bancário e petróleo

O principal índice da bolsa brasileira, o Ibovespa, encerrou o pregão desta quarta-feira, 7 de janeiro de 2026, em nítida queda, marcando um dia de correção e cautela no mercado financeiro. O tom negativo foi puxado por uma forte desvalorização das ações do setor bancário e por novos desdobramentos geopolíticos envolvendo os Estados Unidos e a Venezuela, que impactaram as cotações do petróleo.

Pressão dupla: bancos em correção e tensão geopolítica

O Ibovespa fechou o dia com uma baixa de 1,03%, negociado próximo aos 161,9 mil pontos. Analistas apontam que o movimento representa uma correção após as duas últimas altas consecutivas, em um ambiente de maior aversão ao risco. Paralelamente, o dólar comercial teve desempenho oposto, encerrando em alta e cotado a R$ 5,38.

Entre os grandes pesos do índice, o setor financeiro foi o principal vilão do dia. As principais instituições bancárias listadas na B3 operaram em terreno negativo, realizando uma correção mais acentuada após os avanços recentes. Um fator específico que pesou sobre o sentimento foi o caso do Banco Master. O Banco Central recorreu de uma decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou uma inspeção sobre a liquidação do banco.

"Essa movimentação impacta as principais empresas do sistema financeiro que estão listadas na bolsa", comentou Pedro Moreira, sócio da ONE Investimentos. Na prática, a notícia injetou uma dose de incerteza regulatória no setor.

Desempenho das ações bancárias

As maiores perdas ficaram por conta do Santander (SANB11), que recuou expressivos 2,27%. Na sequência, o Banco do Brasil (BBAS3) teve queda de 1,90%, o Itaú (ITUB4) desvalorizou 1,60% e o Bradesco (BBDC4) cedeu 1,26%.

Plano de Trump para petróleo venezuelano abala commodities

No cenário internacional, um anúncio do presidente norte-americano, Donald Trump, reverberou nos mercados de commodities. Trump divulgou um plano para refinar e comercializar até 50 milhões de barris de petróleo venezuelano que estavam retidos sob embargo dos Estados Unidos.

A perspectiva de uma oferta adicional desse volume no mercado exerceu pressão imediata sobre os preços do barril. Como resultado, o petróleo brent fechou o dia com queda de aproximadamente 0,68%, negociado a US$ 60,3. No Brasil, as ações da Petrobras, que haviam sofrido quedas brutas recentemente, tentaram se recuperar e fecharam com um leve ganho de 0,10%.

Dados fracos do emprego nos EUA alimentam cautela

O dia também foi de atenção aos indicadores econômicos dos Estados Unidos, que serviram como uma prévia do aguardado relatório oficial de empregos (payroll). Os números divulgados surpreenderam negativamente:

  • O relatório ADP mostrou a criação de apenas 41 mil vagas no setor privado em dezembro, abaixo da expectativa do mercado, que era de cerca de 49 mil.
  • O levantamento Jolts indicou uma queda de 303 mil vagas de emprego em aberto no país em novembro, um recuo maior do que o projetado por economistas.

Esses dados mais fracos alimentam a cautela e levam o mercado a precificar, atualmente, pelo menos dois cortes na taxa de juros pelo Federal Reserve (Fed) ao longo de 2026. No entanto, surpresas em indicadores futuros podem fazer com que os investidores reavaliem essas apostas, mantendo a volatilidade no radar.

Em resumo, a sessão de quarta-feira na B3 foi dominada por uma combinação de fatores internos e externos. A correção técnica no setor bancário, amplificada por questões regulatórias pontuais, somou-se à cautela gerada pela geopolítica do petróleo e por sinais de possível desaceleração no mercado de trabalho norte-americano, resultando em um dia claramente negativo para o Ibovespa.