O principal índice da bolsa de valores brasileira, o Ibovespa, iniciou a sessão desta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, em terreno negativo. O mercado financeiro demonstra cautela diante de dois fatores externos de peso: a persistência da inflação nos Estados Unidos e o acirramento das tensões geopolíticas, com novas ameaças comerciais do ex-presidente americano Donald Trump.
Cenário externo pressiona os negócios
Os olhos dos investidores estavam voltados para os dados de inflação ao consumidor nos Estados Unidos, divulgados nesta manhã. O índice referente a dezembro de 2025 registrou alta de 0,3%, alinhado com as expectativas do mercado. No acumulado do ano, a variação ficou em 2,7%, superando a meta de 2% estabelecida pelo Federal Reserve (Fed), o banco central americano.
Além dos números da economia, a fala do ex-presidente Donald Trump na segunda-feira (12) adicionou uma camada de incerteza. Trump afirmou que imporia uma tarifa de 25% a qualquer país que mantivesse relações comerciais com o Irã. A declaração reacendeu preocupações sobre uma nova onda de protecionismo e seus impactos no comércio global, deixando os agentes de mercado em estado de alerta.
Enquanto isso, em Wall Street, os futuros dos principais índices também sinalizavam abertura sem direção clara: Dow Jones Futuro caía 0,02%, Nasdaq Futuro recuava 0,25% e o S&P 500 Futuro tinha baixa de 0,15%.
Como reagiram os setores na B3
No pregão doméstico, o tom foi predominantemente de venda. O setor financeiro, sensível ao cenário de incerteza global e à expectativa de custos mais altos, abriu no vermelho. As ações do Santander (SANB11) lideravam as perdas entre os grandes bancos, com queda de -0,74%. Na sequência, apareciam Bradesco (BBDC4) com -0,60%, Banco do Brasil com -0,55% e Itaú (ITUB4) cedendo -0,25%.
O varejo também sofria pressão significativa. A Magazine Luiza (MGLU3) despencava -2,45%, e a Vivara (VIVA3) registrava perda de -2,07%. Em contraste, a União Pet (AUAU3) era uma das poucas a operar no azul, com alta de 0,29%.
Às 11h da manhã, o Ibovespa era cotado a 162.747 pontos, e o dólar comercial operava próximo a R$ 5,37.
Agenda nacional e expectativas
No cenário interno, um ponto de atenção positiva era o avanço da Reforma Tributária. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o ministro da Fazenda, Fernando Haddad, se reuniriam às 15h para o lançamento oficial da plataforma digital da Reforma Tributária, um passo concreto na implementação das novas regras.
Por outro lado, os dados econômicos divulgados pelo IBGE trouxeram um sinal misto. A pesquisa mensal de serviços de novembro mostrou uma queda de 0,1% na comparação com outubro. Apesar do recuo mensal, o setor permanece 2,0% acima do nível pré-pandemia, indicando uma recuperação estrutural, mas com ritmo oscilante.
Para Bruno Yamashita, analista de Alocação e Inteligência da Avenue, o mercado deve acompanhar com atenção o início da temporada de balanços corporativos nos EUA, que começa nesta semana com os resultados de gigantes como JP Morgan Chase, Citigroup e Bank of America. Esses números podem trazer volatilidade e direcionar o sentimento global, mesmo com o pano de fundo geopolítico tenso.
Em resumo, a combinação entre inflação americana teimosa e riscos geopolíticos renovados tem sido o motor das vendas na bolsa brasileira. Enquanto isso, os investidores aguardam os próximos capítulos da temporada de resultados nos EUA e monitoram os desdobramentos da agenda econômica no Brasil para buscar novos direcionamentos.