O CEO do Bradesco, Marcelo Noronha, afirmou em coletiva de imprensa nesta quinta-feira, 7, que o cenário macroeconômico piorou drasticamente com o início da guerra no Oriente Médio. Diante disso, o banco deve manter cautela na concessão de crédito, em uma tentativa de controlar a inadimplência da carteira.
Impacto do conflito no petróleo e na inflação
Segundo o executivo, a disparada do petróleo causada pelo conflito entre Estados Unidos e Irã elevou a inflação e deve reduzir o ritmo de cortes de juros pelo Banco Central, fator que, na avaliação dele, prejudica e desacelera a economia brasileira. “É claro que o cenário macroeconômico piorou. No entanto, precisamos lembrar que o Brasil é um dos países menos afetados pela guerra. Outro ponto é que o conflito no Oriente Médio tem provocado queda do dólar, o que pode ser ruim para o agronegócio, mas ajuda a aliviar as pressões inflacionárias em outros setores da economia”, afirmou Noronha.
Estratégia de crédito do Bradesco
Com a deterioração do cenário, o executivo destacou que o banco continuará adotando critérios rigorosos na concessão de crédito. O Bradesco deve concentrar esforços em empréstimos voltados ao consignado privado e ao segmento de alta renda. No primeiro trimestre de 2026, a carteira de consignado privado avançou 42,8%, enquanto a concessão de crédito para clientes de alta renda cresceu 18,6%. Já a baixa renda registrou leve avanço de 5,5% na geração de novos empréstimos. Segundo o banco, essas iniciativas devem contribuir para uma margem financeira líquida entre 42 bilhões e 48 bilhões de reais em 2026, além de um crescimento entre 8,5% e 10,5% da carteira de crédito.
Resultados do primeiro trimestre
O Bradesco reportou lucro líquido recorrente de 6,8 bilhões de reais no primeiro trimestre de 2026, alta de 16% na comparação com o mesmo período do ano anterior. O resultado ficou acima das expectativas do mercado, que projetava lucro de 6,65 bilhões de reais, segundo consenso do BTG Pactual. O banco apresentou um balanço positivo, com crescimento do lucro e da rentabilidade, apesar da leve alta na inadimplência. O índice de atrasos acima de 90 dias ficou em 4,2%, avanço de 0,1 ponto percentual na comparação anual. Para Noronha, a inadimplência deve permanecer estável ao longo de 2026, com possibilidade de aumento apenas entre pequenas e médias empresas, justamente por causa do cenário de juros elevados.
Rentabilidade em destaque
O principal destaque do trimestre foi a rentabilidade, medida pelo Retorno sobre o Patrimônio Líquido (ROE), que atingiu 15,8%, alta de 1,4 ponto percentual em relação ao mesmo período do ano passado. Para os próximos trimestres, o executivo não projetou um número específico para a rentabilidade do Bradesco, mas reforçou que a evolução deve continuar em ritmo gradual. “Vamos aumentar a rentabilidade conforme ampliamos o lucro. Esse movimento deve continuar nos próximos trimestres, mas de forma gradual, como temos reiterado nos últimos anos da transição”, concluiu Marcelo Noronha.



