A questão da sucessão no comando do Federal Reserve (Fed), o banco central dos Estados Unidos, voltou a ganhar destaque entre investidores. O motivo é a aproximação do fim do mandato de Jerome Powell, previsto para maio de 2026.
Os nomes na mesa de Trump
Em entrevista exclusiva à agência Reuters, o presidente Donald Trump afirmou que não planeja demitir Powell antes do fim do mandato. No entanto, ele já indicou dois possíveis sucessores: Kevin Hassett e Kevin Warsh. A revelação coloca em cena dois perfis distintos, com potenciais impactos diferentes para os mercados financeiros globais.
Segundo análise do economista Marcelo Siqueira, o mercado começa a avaliar não apenas os nomes em si, mas o clima político que cerca a indicação. Para ele, a questão central vai além de quem assumirá o cargo. O foco está no grau de independência que o Fed manterá diante de possíveis pressões políticas do governo.
Perfis distintos em análise
Os dois cotados trajem trajetórias e visões diferentes. Kevin Hassett, atual conselheiro econômico da Casa Branca, é visto como uma figura mais alinhada ao discurso político da administração Trump. Sua indicação poderia sugerir uma maior sintonia entre a política monetária e os objetivos do Executivo.
Já Kevin Warsh possui um histórico mais técnico e vinculado ao mercado financeiro. Ele foi diretor do banco de investimentos Morgan Stanley e assessor econômico do ex-presidente George W. Bush. Esse currículo reforça sua imagem como um defensor da autonomia do banco central, uma característica tradicionalmente valorizada pelos investidores.
O peso da autonomia em tempos voláteis
O tema da independência do Fed ganha um peso extra no atual cenário econômico, marcado por alta volatilidade. Anúncios frequentes sobre tarifas comerciais e as intervenções verbais do presidente Trump são fatores que aumentam a incerteza.
Marcelo Siqueira avalia que a disputa entre os dois Kevins deve se intensificar nas próximas semanas. Qualquer sinal, mesmo que tênue, de um enfraquecimento na autonomia da autoridade monetária americana pode ter repercussões significativas em escala global, afetando fluxos de capital, taxas de câmbio e a confiança dos investidores.
O desfecho dessa indicação, portanto, será observado com lupa pelo mundo financeiro, pois definirá o tom da política monetária da maior economia do planeta nos próximos anos.