No dia do aguardado encontro entre os presidentes Donald Trump e Luiz Inácio Lula da Silva na Casa Branca, o petróleo Brent registrou nova queda de 3,9%, sendo cotado a US$ 97,90, impulsionado pelo aumento das expectativas de um acordo entre Estados Unidos e Irã. Paralelamente, o dólar apresentou recuo diante de quase todas as principais moedas, incluindo euro, libra, iene, franco suíço, dólar australiano, dólar canadense e yuan chinês.
Comportamento do Real e do Mercado de Ações
O real brasileiro, após a intervenção do Banco Central no mercado futuro na véspera, operou com leve alta de 0,07%, cotado a R$ 4,9159. No entanto, o mercado de ações reagiu negativamente, com o Ibovespa registrando queda de 1,76%, influenciado pelas baixas de ações de grande peso no índice da B3. As ações ordinárias da Petrobras caíram mais de 4,2%, enquanto as preferenciais desvalorizaram 3,8%. Outro destaque negativo foi o Bradesco PN, que caiu 2,80%, superando a queda de 1,08% do Itaú Unibanco PN. Os investidores receberam pior os resultados do banco da Cidade de Deus em comparação aos do Itaú, ambos com perdas consideráveis em provisão para devedores duvidosos, ou seja, atrasos acima de 90 dias. Diante disso, há expectativas sobre o impacto do programa Desenrola, de renegociação de dívidas, na melhoria dos balanços das instituições financeiras.
Indústria Avança 1,4% no Primeiro Trimestre
A produção industrial brasileira subiu 0,1% em março em relação a fevereiro, descontados os efeitos sazonais, ligeiramente acima da projeção do mercado, que era de -0,1%. Na comparação com março de 2025, houve crescimento de 4,3%. Com o resultado de março, que caracteriza a terceira expansão consecutiva, o primeiro trimestre encerrou com expansão de 1,4% em comparação ao final do ano passado. Todas as categorias de uso apresentaram avanço na comparação mensal.
Destaques Positivos e Negativos
Uma boa surpresa foi o avanço de 0,6% na produção de bens de capital, o terceiro ganho consecutivo. No entanto, o segmento ainda se encontra 2,8% abaixo do pico de outubro de 2025. Dessa forma, houve queda de 1,1% na produção de bens de capital no primeiro trimestre, após retração de 2,3% nos últimos três meses de 2025. Outro destaque positivo foi o avanço de 1,7% na produção de bens duráveis, enquanto os bens de consumo semi e não duráveis avançaram 0,4%. Por fim, a produção de bens intermediários subiu 0,5% no mês. Os insumos típicos da construção civil aceleraram em março, com alta de 3,7%. Assim como nos bens de capital, o resultado do primeiro trimestre foi negativo, com queda de 0,5%.
Perspectivas Econômicas
Para o Bradesco, o desempenho da indústria no primeiro trimestre reforça a expectativa de um PIB mais forte no início do ano. Apesar da surpresa ser pequena, a abertura mostrou expansão de bens de capital e insumos típicos da construção civil, indicando melhor desempenho dos investimentos. O banco projeta crescimento real próximo de 1% em relação ao quarto trimestre do ano passado, após a economia ter permanecido praticamente estagnada no segundo semestre de 2025. Para o ano como um todo, a projeção é de expansão do PIB de 1,6%, com investimentos ainda enfraquecidos. Já o Itaú considera que, após um desempenho mais fraco no último trimestre de 2025, o setor industrial começou o ano com desempenho mais forte, sugerindo alguma normalização no curto prazo. Olhando adiante, o banco espera que a indústria de transformação fique praticamente estável ao longo do ano, enquanto o setor extrativo deve registrar mais um desempenho positivo em 2026.



