Bahia registra mais de 144 mil pessoas com autismo; homens são 60% dos casos
Bahia tem 144 mil autistas; homens são 60% dos casos

Bahia possui mais de 144 mil pessoas diagnosticadas com autismo, aponta Censo 2022

O estado da Bahia registra um total de 144.928 pessoas com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista (TEA), de acordo com dados do Censo 2022 divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A informação ganha destaque nesta quinta-feira (2), data em que se celebra o Dia Mundial de Conscientização sobre o Autismo, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) para difundir informações, reduzir o preconceito e promover os direitos das pessoas com TEA.

Distribuição por gênero e posição nacional

Os números revelam uma significativa disparidade de gênero entre os diagnosticados. Na Bahia, 6 em cada 10 pessoas com autismo são do sexo masculino. Especificamente, 86.126 baianos com TEA são homens, o que representa 59,4% dos casos. As mulheres somam 58.802 diagnósticos, correspondendo a 40,6% do total.

Em termos absolutos, a Bahia aparece como o quarto estado com a maior população com autismo no país, ficando atrás apenas de São Paulo, Minas Gerais e Rio de Janeiro. No entanto, quando analisada a proporção em relação à população total, o estado apresenta uma das menores taxas do Brasil: pessoas com TEA representam 1,0% dos baianos, índice que empata com o Tocantins como o mais baixo entre todas as unidades federativas. A média nacional é de 1,2%.

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Desafios no acesso à educação e perfil etário

O levantamento do IBGE também expõe importantes desafios enfrentados por essa população, especialmente no que diz respeito à educação. Cerca de 3 em cada 10 pessoas com autismo na Bahia têm até 14 anos, totalizando 49.920 crianças e adolescentes, o equivalente a 34,4% do total de diagnosticados.

As desigualdades no acesso à escolarização são evidentes:

  • Entre crianças de 6 a 14 anos, 98,4% da população geral está na escola, mas esse índice cai para 93,1% entre estudantes com TEA.
  • Na faixa de 15 a 17 anos, a diferença se amplia: 85,8% dos jovens em geral frequentam a escola, contra apenas 71,9% das pessoas com autismo.

Esse cenário impacta diretamente a escolaridade na vida adulta. Entre as pessoas com 25 anos ou mais diagnosticadas com autismo, 60,2% não têm instrução ou não concluíram o ensino fundamental. Essa proporção é significativamente superior aos 44,4% registrados na população geral baiana.

Presença em todos os municípios e ranking das cidades

O autismo está presente em todos os 417 municípios baianos, segundo os dados do censo. Em números absolutos, Salvador lidera com 28.915 pessoas diagnosticadas, o sexto maior contingente entre as cidades brasileiras, representando 1,2% da população da capital.

Na sequência aparecem:

  1. Feira de Santana, com 6.555 casos.
  2. Vitória da Conquista, com 3.686 diagnósticos.

Já em termos proporcionais, os maiores índices de autismo na Bahia estão em cidades de menor porte:

  • Mirante: 2,6% da população declarou diagnóstico de TEA.
  • Capim Grosso: 2,2%.
  • Morpará: 1,9%.

No cenário nacional, o maior percentual foi registrado em Cezarina (GO), onde 3% da população declarou diagnóstico de autismo.

Além da dificuldade para realizar o diagnóstico, pessoas com Transtorno do Espectro Autista enfrentam uma série de barreiras no dia a dia, reforçando a importância de políticas públicas e ações de conscientização como as que marcam esta data.

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