Declarações de Trump sobre Irã causam turbulência nas bolsas globais e elevam petróleo
O presidente americano Donald Trump voltou a gerar instabilidade nos mercados financeiros internacionais nesta segunda-feira, após ameaçar bloquear o Estreito de Ormuz em resposta ao fracasso das negociações com o Irã. As declarações do republicano, que incluem a possibilidade de bombardear navios que façam paradas no país para pagar tarifas, provocaram uma reação imediata nos preços do petróleo e nas bolsas de valores ao redor do mundo.
Reação imediata dos mercados financeiros
A resposta dos investidores foi rápida e contundente. O petróleo disparou e voltou a ser negociado acima da marca psicológica de US$ 100 por barril, refletindo os temores de uma interrupção no fornecimento global de energia. Paralelamente, os futuros das bolsas americanas registraram recuos significativos, espalhando perdas pelos mercados europeus e afetando também o EWZ, fundo que representa as ações brasileiras negociadas em Nova York.
Uma das principais dificuldades enfrentadas pelo mercado financeiro atualmente é distinguir entre fatos e bravatas nas declarações de Trump. Mesmo com um histórico de ultimatos que raramente são cumpridos – o que rendeu ao presidente o apelido de "TACO" (Trump always chickens out) –, os investidores tendem a precificar todas as ameaças como reais, ampliando a volatilidade.
Impacto na economia real e agenda econômica
Para além das declarações polêmicas, a disparada e a volatilidade nos preços dos combustíveis estão cobrando um preço elevado na economia real. Neste contexto, o Banco Central atualiza as projeções de inflação colhidas no Boletim Focus, em um momento em que o IBGE já havia indicado que a inflação subiu mais que o esperado em março.
A semana também será marcada pelas reuniões do FMI e do Banco Mundial nos Estados Unidos, onde as lideranças econômicas globais devem discutir as consequências do estrangulamento na oferta de energia para o PIB mundial. A pauta única reflete a preocupação com os efeitos prolongados da tensão geopolítica no Oriente Médio.
Agenda do dia e balanços corporativos
Confira os principais eventos desta segunda-feira:
- 8h25: Banco Central divulga o Relatório Focus
- 14h: Alckmin e Durigan participam de assinatura de crédito do BB para o túnel Santos-Guarujá
- 19h20: Stephen Miran (Fed) participa de simpósio
- Áustria: Opep divulga relatório mensal
- EUA: Galípolo participa de reuniões de primavera do FMI e Banco Mundial
Antes da abertura dos mercados, o Goldman Sachs também divulga seus balanços, acrescentando mais um elemento de atenção para os investidores. O cenário de incerteza geopolítica e econômica promete manter os mercados em alerta máximo nas próximas sessões.



