Os brasileiros continuam retirando mais dinheiro da poupança do que depositando, conforme dados do Banco Central divulgados nesta sexta-feira. Em abril, os saques totalizaram R$ 362,7 bilhões, superando os depósitos de R$ 362,2 bilhões, resultando em uma saída líquida de R$ 476,5 milhões. Este é o quarto mês consecutivo com saldo negativo entre aplicações e resgates.
Rendimento e saldo total
Apesar da retirada líquida, o saldo total da poupança cresceu de R$ 999,8 bilhões em março para R$ 1,005 trilhão em abril, graças ao rendimento de R$ 6,3 bilhões no período. O último mês com saldo positivo foi dezembro, tradicionalmente um período de maior poupança.
Tendência estrutural
Desde janeiro de 2023, em apenas nove meses os depósitos superaram os saques; nos outros 31 meses, o movimento foi contrário. O Banco Central aponta uma mudança estrutural no comportamento dos investidores, que estão migrando para aplicações de renda fixa mais rentáveis, como CDBs e Tesouro Direto. Com a Selic em 14,5% ao ano, esses investimentos se tornam mais atrativos, enquanto a poupança rende fixos 8,5% ao ano.
O alto endividamento das famílias, em níveis recordes, também contribui para as retiradas, pois muitos utilizam os recursos da poupança para complementar a renda mensal.



