Especialista questiona viabilidade de promessa de Trump sobre petróleo global
A afirmação do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de que o país teria petróleo suficiente para suprir o mundo em caso de fechamento do Estreito de Ormuz, foi recebida com ceticismo pelo mercado e especialistas. Professor e coordenador do Programa Avançado em Finanças do Insper, Ricardo Rocha, levantou dúvidas sobre o tempo, o custo e a viabilidade operacional dessa substituição.
Análise técnica aponta desafios logísticos
Para Rocha, embora os americanos tenham reservas estratégicas e certo grau de autossuficiência, transformar esse potencial em fornecimento global imediato exigiria uma operação complexa e cara. Na avaliação do professor, a fala se aproxima de uma bravata comercial, alinhada ao estilo do ex-presidente.
Rocha lembra que não basta ter petróleo disponível; é preciso logística, contratos, transporte e adaptação das rotas internacionais. A troca de fornecedores, segundo ele, não acontece de forma automática. Custos extras com frete e reorganização das cadeias de distribuição tenderiam a ser repassados ao mercado, pressionando preços e ampliando a volatilidade em um momento já sensível para a economia global.
Dependência estrutural do Estreito de Ormuz
O ponto central, diz Rocha, é a dependência estrutural do fluxo que passa pelo Estreito. Entre 20% e 30% do petróleo destinado à Ásia depende dessa passagem, o que torna qualquer substituição ampla um desafio significativo. A afirmação de Trump, portanto, soa mais como discurso político do que como um plano concreto e executável.
Essa análise reforça a percepção de que, apesar da capacidade produtiva dos Estados Unidos, a realidade do mercado global de petróleo envolve fatores complexos que vão além da simples disponibilidade do recurso. A volatilidade e os custos adicionais poderiam impactar negativamente a economia mundial, especialmente em um contexto de tensões geopolíticas.



