Vale-refeição cobre só 10 dias de trabalho em 2025, aponta Pluxee
Vale-refeição cobre apenas 10 dias úteis por mês em 2025

O poder de compra do vale-refeição no Brasil continua em queda acentuada, segundo um novo levantamento da empresa de benefícios Pluxee. Os dados mostram que, em 2025, o valor médio do benefício foi suficiente para cobrir as refeições em apenas 10 dias úteis por mês, repetindo o cenário preocupante já registrado no ano anterior.

Queda histórica no poder de compra

A série histórica compilada pela Pluxee revela um encolhimento dramático na cobertura do benefício ao longo dos últimos anos. Em 2019, o vale-refeição conseguia cobrir uma média de 19 dias úteis mensais. Esse número despencou para 13 dias em 2022 e caiu ainda mais, para 11 dias, em 2023, antes de estabilizar nos atuais 10 dias em 2024 e 2025.

Essa trajetória deixa claro que o valor do benefício não tem acompanhado o aumento dos preços das refeições, reduzindo significativamente sua utilidade para os trabalhadores brasileiros.

Desigualdade regional no acesso à alimentação

A análise também expõe uma profunda desigualdade entre as regiões do país. Enquanto alguns estados apresentam desempenho próximo ou ligeiramente acima da média nacional, outros enfrentam situações críticas.

Os piores desempenhos são registrados no Norte do Brasil. Roraima lidera o ranking negativo, com o vale-refeição cobrindo apenas 7 dias úteis por mês. Estados como Acre, Rondônia, Pará, Alagoas e Maranhão aparecem em seguida, com cobertura de 8 dias. Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e Piauí têm média de 9 dias.

Na outra ponta, os estados com melhor desempenho são:

  • Minas Gerais, Rio de Janeiro e Ceará: 13 dias por mês.
  • São Paulo e Distrito Federal: 12 dias por mês.
  • Paraná e Santa Catarina: 11 dias por mês.

Desafios estruturais e vulnerabilidade alimentar

O levantamento da Pluxee faz um alerta importante sobre as consequências dessa disparidade. “Enquanto o Sudeste apresenta a melhor cobertura dos dias úteis trabalhados, o Norte concentra os menores prazos médios e os maiores gaps de utilização”, aponta o estudo. Essa situação sinaliza desafios estruturais e possíveis situações de vulnerabilidade alimentar para os trabalhadores nas regiões mais afetadas.

Um dado que sintetiza a crise é que, atualmente, nenhuma unidade da federação consegue superar 80% de cobertura dos dias úteis com o valor do vale-refeição. Isso significa que, em todo o país, os trabalhadores precisam complementar do próprio bolso o custo das refeições na maior parte do mês.

A estagnação na cobertura em 10 dias, repetindo o resultado de 2024, indica que a perda de poder de compra pode ter se estabilizado em um patamar muito baixo, pressionando ainda mais o orçamento das famílias em um contexto de custo de vida elevado.