Câmara marca reunião crucial para regulamentação do trabalho por aplicativo
Reunião na Câmara busca acordo sobre trabalho por aplicativo

Câmara dos Deputados convoca reunião estratégica para avançar na regulamentação do trabalho por aplicativo

O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, do Republicanos da Paraíba, organizou uma reunião de alto nível para esta terça-feira, dia 10, com o objetivo central de buscar consenso sobre a polêmica proposta de regulamentação do trabalho realizado por meio de aplicativos. O encontro, marcado para as 10 horas da manhã, acontecerá na Residência Oficial da Câmara e reunirá figuras-chave do governo federal e do próprio Legislativo.

Convidados de peso para um debate urgente

A lista de participantes inclui ministros de peso do governo Lula, demonstrando a prioridade que o tema recebe. Estarão presentes Guilherme Boulos, da Secretaria-Geral, Gleisi Hoffmann, das Relações Institucionais, e Luiz Marinho, do Trabalho. Do lado parlamentar, comparecerão o relator do projeto, deputado Augusto Coutinho, também do Republicanos, mas de Pernambuco, e o presidente da comissão especial que analisa a matéria, deputado Joaquim Passarinho, do PL do Pará.

Este movimento ocorre num contexto em que tanto o Executivo quanto o Legislativo elegeram a construção de alternativas para garantir direitos aos trabalhadores de aplicativos como uma das prioridades máximas para o primeiro semestre de 2024. O assunto ganha cada vez mais relevância no cenário político nacional, com reflexos diretos nas discussões pré-eleitorais para 2026.

Os detalhes da proposta em tramitação

O projeto de lei em discussão, de autoria do deputado Luiz Gastão, do PSD do Ceará, e relatado por Coutinho, busca estabelecer um marco regulatório para atividades realizadas via plataformas digitais, especialmente nos setores de transporte de passageiros e entrega de mercadorias. O relator afirmou ao g1 que tem como meta entregar o texto finalizado até o começo de abril, embora a proposta ainda esteja em fase de debates intensos e não tenha data certa para votação em plenário.

O Palácio do Planalto tem defendido pontos considerados essenciais na futura legislação, que incluem:

  • Estabelecimento de uma remuneração mínima de R$ 10 por corrida ou entrega, com acréscimo de R$ 2,10 por quilômetro adicional percorrido.
  • Proibição das chamadas entregas agrupadas, que muitas vezes prejudicam a remuneração do trabalhador.
  • Exigência de transparência total nos algoritmos que determinam os valores pagos aos profissionais.
  • Criação de pontos de apoio mantidos e custeados pelas próprias empresas.
  • Garantia de acesso à Previdência Social, com contribuição majoritariamente assumida pelo empregador.

Compromisso com o diálogo e a técnica legislativa

Em declarações feitas no mês passado, o presidente Hugo Motta reafirmou que a discussão sobre o tema seguirá um caminho de ampla escuta, envolvendo parlamentares, representantes do governo e das empresas do setor. "Avançaremos ouvindo todos os lados e argumentos. Com equilíbrio e critério técnico, a Câmara dos Deputados vai entregar a melhor legislação possível", destacou Motta em suas redes sociais, sinalizando um processo cuidadoso e negociado.

Grupo de trabalho no Planalto em ação paralela

Paralelamente aos esforços no Congresso, o Palácio do Planalto mantém em funcionamento um grupo de trabalho específico, criado para consolidar diretrizes que orientem a atuação do Executivo e contribuam para a tramitação do projeto de lei. Coordenado pelo ministro Guilherme Boulos, o GT reúne integrantes dos ministérios do Trabalho, do Desenvolvimento, Indústria e Comércio, da Secretaria de Relações Institucionais, além de representantes dos próprios entregadores e motoristas de aplicativo.

A previsão inicial era que um relatório conclusivo fosse entregue até o início de fevereiro, mas o documento ainda não foi finalizado. Espera-se que este relatório sirva como um importante subsídio para o projeto relatado por Coutinho na Câmara, além de indicar medidas que poderão ser implementadas diretamente pelo governo federal, independentemente da aprovação legislativa.