Fim da escala 6×1 pode gerar demissões e inflação, alerta Fecomércio-SP
A proposta de acabar com a escala 6×1 e migrar para modelos como 5×2 ou 4×3, embora vista como avanço social, pode ter consequências econômicas severas para as empresas brasileiras. Segundo análise da Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio-SP), essa mudança poderia aumentar os custos operacionais em mais de 20%, com riscos significativos para o mercado de trabalho.
Impacto econômico e produtividade
André Sacconato, assessor da Fecomércio-SP, destacou que o Brasil enfrenta um desafio crônico de baixa produtividade. "Enquanto um brasileiro produz cerca de 24 dólares por hora, um americano produz quase 100", comparou. Em setores intensivos em mão de obra, como comércio e serviços, ele prevê uma reação "inexorável" das empresas, que poderia incluir:
- Demissões em massa
- Fechamento de estabelecimentos
- Aumento da informalidade
- Repasse de custos aos consumidores, gerando inflação
Sacconato argumenta que o debate deveria focar primeiro na produtividade e no ambiente de negócios. Ele defende reformas estruturais na educação e uma legislação trabalhista menos engessada, com possíveis ganhos imediatos através da redução da burocracia e do chamado custo Brasil.
Flexibilidade e desafios macroeconômicos
Na visão do especialista, a jornada de trabalho não deveria ser fixada na Constituição, mas negociada entre patrões e empregados ou através de sindicatos. Ele cita que a jornada média real no Brasil já gira em torno de 34 a 35 horas semanais, e menciona o modelo americano de pagamento por hora como exemplo de flexibilidade que poderia dar maior poder de barganha aos trabalhadores.
No cenário macroeconômico, os alertas são amplos. A economia desacelera, os juros permanecem elevados e o mercado de trabalho continua pressionando os salários, o que comprime as margens das empresas. Sacconato prevê um aumento relevante da inadimplência a partir de 2027, com consumidores focando apenas nas parcelas que "cabem no bolso", mesmo em um ambiente de inflação e crédito caro.
Críticas à condução fiscal e regulamentação
O assessor também criticou a condução fiscal do país, afirmando que o mercado já não olha com a mesma confiança para o arcabouço fiscal e que o Brasil precisa de um ajuste "crível" para estabilizar a relação dívida/PIB. Sobre o dólar abaixo de R$ 5,50, ele atribuiu mais a fatores externos do que a méritos domésticos, enquanto a inflação de serviços – na casa de 6% – impede cortes rápidos da taxa de juros.
Na questão da regulamentação dos trabalhadores de aplicativos, Sacconato foi direto: teme um "engessamento" que poderia levar a aumentos de preços e menos vagas de emprego. No fundo, a mensagem é clara: sem previsibilidade econômica e ganhos de produtividade, qualquer boa intenção legislativa pode sair cara para a sociedade.



