O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou nesta sexta-feira (20) dados que mostram um cenário otimista, porém desigual, para o mercado de trabalho brasileiro em 2025. A taxa de desemprego atingiu a menor média anual da série histórica, iniciada em 2012, em 19 estados e no Distrito Federal, acompanhando a tendência nacional, que fechou o ano com um indicador de 5,6%.
Mínimas históricas e os extremos do desemprego
Os números da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua) revelam que Mato Grosso registrou a taxa mais baixa, com apenas 2,2%, seguido por Santa Catarina (2,3%) e Mato Grosso do Sul (3%). No outro extremo, estados como Piauí (9,3%), Pernambuco (8,7%) e Bahia (8,7%) apresentaram desocupação próxima a 9%, evidenciando uma clara disparidade regional.
Desafios estruturais mascarados pela queda
William Kratochwill, analista da pesquisa do IBGE, explica: "A mínima histórica em 2025 decorre do dinamismo observado no mercado de trabalho, impulsionado pelo aumento do rendimento real. Contudo, a queda da desocupação mascara problemas estruturais: Norte e Nordeste mantêm informalidade e subutilização elevadas, evidenciando ocupações de baixa produtividade."
A taxa de subutilização, que mede o desperdício de mão de obra, atingiu 14,5% no Brasil, também a mínima da pesquisa. No entanto, as regiões apresentam diferenças gritantes:
- Nordeste: 24,6%
- Norte: 17%
- Sul: 7,9%
- Centro-Oeste: 9,9%
- Sudeste: 11,6%
Informalidade e renda: desigualdades persistentes
A taxa de informalidade nacional foi de 38,1% em 2025, com Norte (51,9%) e Nordeste (50,8%) ainda apresentando proporções acima de 50%. Em contraste, o Sul registrou a menor informalidade (30,1%).
As disparidades também são evidentes na renda. O Distrito Federal lidera com o maior rendimento médio anual (R$ 6.320), quase o triplo do Maranhão (R$ 2.228), que tem o menor patamar. A média nacional ficou em R$ 3.560.
Quarto trimestre de 2025: mais quedas
No último trimestre de 2025, a taxa de desemprego do país recuou para 5,1%, a menor da série. Seis unidades da Federação registraram quedas significativas:
- Ceará: -1,5 ponto percentual
- Distrito Federal: -1,3 p.p.
- Paraíba: -1,3 p.p.
- Pernambuco: -1,2 p.p.
- Rio de Janeiro: -0,6 p.p.
- São Paulo: -0,5 p.p.
João Mário de França, pesquisador do FGV Ibre, comenta: "O movimento da economia brasileira no pós-pandemia, de crescimento contínuo do PIB, tem se refletido positivamente no mercado de trabalho... Mas é um movimento cíclico, que não modifica as assimetrias que existem no Brasil."
Fatores por trás da queda
Analistas associam o recuo do desemprego a uma combinação de fatores:
- Desempenho positivo da economia, com abertura de vagas e aumento da renda.
- Mudança demográfica, com o envelhecimento da população reduzindo a pressão sobre a taxa.
- Crescimento de vagas ligadas à tecnologia, como atividades por aplicativos, que podem reduzir o desemprego em cerca de 1 ponto percentual.
Embora os números apontem para uma recuperação, o mercado de trabalho brasileiro ainda enfrenta desafios profundos de desigualdade regional, informalidade e qualidade das ocupações, que exigem atenção contínua dos formuladores de políticas públicas.



