Empresas de Campinas registram aumento de 610 vagas para estrangeiros em seis anos
Campinas tem alta de 610 vagas para estrangeiros em seis anos

Empresas de Campinas registram aumento significativo na contratação de estrangeiros

O mercado formal de trabalho em Campinas, no interior de São Paulo, apresentou uma transformação notável nos últimos seis anos. Entre 2020 e 2025, o saldo de empregos para trabalhadores estrangeiros passou de negativo para positivo, acumulando um total de 610 vagas criadas. As informações são do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), que detalha a evolução das contratações, com crescimento especialmente acentuado no setor de serviços.

Dados do Caged revelam tendência de crescimento

Segundo os registros do Caged, o saldo de empregos para estrangeiros apresentou oscilações até 2021, mas consolidou-se em terreno positivo a partir de 2022. Em 2025, os setores que mais contribuíram para esse resultado foram os de serviços e vendas no comércio em lojas e mercados, com 1.259 admissões e 853 desligamentos, resultando em um saldo positivo de 406 vagas.

Em seguida, aparece o setor de produção de bens e serviços industriais, que registrou 385 contratações e 327 demissões, com saldo positivo de 58 vagas. O terceiro lugar ficou com o setor de serviços administrativos, que teve 260 admissões, 194 desligamentos e um saldo positivo de 66 empregos.

Série histórica mostra virada a partir de 2022

A análise da série histórica evidencia as oscilações no saldo de empregos até 2021 e o crescimento consistente a partir de 2022. Em 2020, foram contabilizadas 667 admissões e 680 desligamentos, resultando em um saldo negativo de 13 empregos.

No ano seguinte, em 2021, houve 899 contratações e 928 demissões, com saldo de -29 vagas. A partir de 2022, a tendência se inverteu: foram 1.133 admissões e 914 desligamentos, com saldo positivo de 219 vagas.

Em 2023, o número subiu para 1.334 contratações e 1.093 demissões, com saldo de 241 empregos. Já em 2024, o crescimento continuou, com 1.809 admissões e 1.458 desligamentos, alcançando um saldo positivo de 351 vagas.

Especialista alerta para qualidade das vagas

O professor da Unicamp e doutor em economia social e do trabalho, José Dari, avalia como positiva a abertura de vagas, mas faz um alerta importante. Ele destaca que a maioria das oportunidades está concentrada em empregos de baixa remuneração, especialmente nos setores de serviços e construção civil.

"Muitas pessoas, mesmo brasileiras, buscam outras alternativas nesse contexto, alternativas de conseguir algum tipo de rendimento, dadas as características desses empregos que estão sendo oferecidos no mercado, especialmente no setor de serviços e da construção civil", explica o especialista.

Para Dari, essas vagas representam esperança para quem busca melhores condições de vida, mas também exigem políticas de acolhimento e inclusão. "São pessoas que estão ali na sua luta por conseguir encontrar um sol na sua vida, uma oportunidade na sua vida. Então, acho que a gente tem que ter uma postura de acolhimento, de respeito do ser humano, de respeito à sua vitória, de respeito da sua cultura e buscar incluir essas pessoas na nossa dinâmica", finaliza.

Histórias reais de contratação

Marisa Corrêa, gerente administrativa de uma empresa de climatização em Campinas, abriu cinco vagas para auxiliares de manutenção e instalação. Os requisitos são mínimos e não há exigência de experiência prévia. "A gente não pede nem experiência, nós damos a oportunidade de desenvolver o colaborador. Então ele chega com vontade de trabalhar, comprometido, e a gente ajuda a desenvolvê-lo", explica.

A empresa enfrentava dificuldades para contratar até encontrar o venezuelano Guerys Trocones, de 47 anos, que está no Brasil há dois anos e meio e assumiu o novo trabalho há 20 dias. "Estava aprendendo cada dia um pouquinho mais. O serviço é bom", afirma. O maior sonho dele é trazer os filhos que ainda vivem no país de origem: "Tenho algo estável para poder ir trazendo um a um, porque são muitos, são sete", diz.

Na região de Barão Geraldo, um restaurante especializado em alta gastronomia peruana também emprega profissionais de diversas nacionalidades. A dona é de Lima, e entre os funcionários há peruanos, colombianos e o angolano Carlos Alberto, que vive no Brasil há mais de dez anos e trabalha como garçom desde outubro.

"Tem sido uma experiência muito boa aqui. E com o trabalho também a gente acaba entendendo que de fato é uma coisa não só para mim como funcionário, como alguém que vai exercer uma certa função no trabalho e também como para a própria família também", diz Carlos.

Com 35 anos, Carlos é formado em teologia e atualmente cursa mestrado em ciência da religião. Para ele, o trabalho como garçom é apenas uma fase. "Eu continuo estudando, eu me formei em teologia, hoje eu estou fazendo mestrado em ciência da religião. Pretendo, lá para frente, talvez atuar no âmbito acadêmico, na parte do ensino", finaliza.