O Banco Central (BC) entrou com um recurso contra a decisão do Tribunal de Contas da União (TCU) que determinou uma inspeção nos autos da liquidação do Banco Master. A ação, confirmada nesta terça-feira, 6 de janeiro de 2026, acendeu um novo capítulo no embate entre as instituições e gerou uma reação imediata do setor financeiro.
O recurso do Banco Central
No recurso, a autarquia monetária argumenta que o regimento interno do TCU estabelece que apenas decisões colegiadas – ou seja, tomadas por um grupo de ministros – podem autorizar inspeções em órgãos federais. A medida que está em vigor foi determinada de forma monocrática pelo ministro Jhonatan de Jesus.
Dessa forma, o BC cobra que o TCU apresente uma decisão formal da Primeira Turma do tribunal para validar a inspeção. "Tendo em vista que não há indicação de deliberação da Primeira Câmara do TCU determinando a inspeção no BCB, serve-se esta autarquia dos presentes embargos de declaração para solicitar que tal omissão seja sanada", afirmou o Banco Central no documento.
As críticas do TCU e o foco na gestão anterior
A reação do BC ocorre após um despacho do ministro Jhonatan de Jesus, na segunda-feira (5), que foi amplamente crítico ao processo de liquidação do Banco Master, realizado em novembro de 2025. Para o ministro, a justificativa apresentada pelo BC foi uma "exposição sintética de cronologia sem provas documentais".
O foco da investigação do TCU é entender como o Banco Central permitiu o crescimento exorbitante do Banco Master a partir de 2019, período que coincide com a gestão do então presidente da autoridade monetária, Roberto Campos Neto. O ministro determinou que a área técnica do tribunal avalie o perfil dos investidores do Master e se os ativos remanescentes estão sujeitos a degradação, o que poderia reverter a própria decisão de liquidação.
Reação em cadeia no mercado financeiro
A decisão do TCU provocou uma resposta imediata e conjunta das principais entidades do setor financeiro. Na segunda-feira (5), a Febraban, a Anbima e outras nove associações emitiram uma nota em defesa das "decisões técnicas" e da "autonomia" do Banco Central.
Embora não cite nominalmente o caso Master, o timing do comunicado deixa claro o contexto. As entidades afirmaram "depositar plena confiança nas decisões técnicas do Banco Central" e defenderam que "é imprescindível preservar a independência institucional e a autoridade técnica das decisões do BC", considerando isso um pilar fundamental para um sistema financeiro sólido.
O impasse coloca em lados opostos a fiscalização do TCU e a autonomia operacional do BC, criando um cenário de incerteza institucional que deve seguir nos próximos dias, à medida que o tribunal se pronuncia sobre o recurso da autoridade monetária.