PMI dos EUA sobe a 52,0 em abril, mas inflação preocupa Fed, aponta S&P
PMI dos EUA sobe a 52,0 em abril, inflação preocupa Fed

A atividade empresarial dos Estados Unidos registrou leve recuperação em abril, após quase estagnar em março, de acordo com dados preliminares do Índice de Gerente de Compras (PMI) divulgados pelo S&P Global nesta quinta-feira, 23. O índice composto subiu de 50,3 para 52,0, atingindo o maior nível em três meses e sinalizando expansão no início do segundo trimestre, embora ainda abaixo dos patamares típicos do ano passado.

Setor de serviços ainda fraco

Apesar da melhora geral, o ritmo de crescimento permaneceu moderado, com destaque negativo para o setor de serviços. A atividade no segmento avançou para 51,3, após contração em março, mas continuou refletindo demanda enfraquecida. Os novos negócios cresceram apenas marginalmente, no ritmo mais lento em dois anos, pressionados pela queda contínua das exportações e pela cautela de consumidores e empresas diante do ambiente de incerteza.

Indústria impulsiona recuperação

Por outro lado, o setor industrial apresentou desempenho mais forte. O PMI manufatureiro subiu para 54,0, o maior nível desde maio de 2022, enquanto o índice de produção atingiu 55,7, máxima em quatro anos. O avanço foi impulsionado pelo aumento dos pedidos, especialmente domésticos, e pela formação de estoques preventivos por parte de clientes, preocupados com a disponibilidade de insumos e a alta de preços.

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Guerra no Oriente Médio impacta cadeias

A guerra no Oriente Médio continuou como fator central para o desempenho recente da economia, afetando tanto a demanda quanto as cadeias de suprimentos. Empresas relataram perda de vendas, retração das exportações e aumento da incerteza, além de atrasos mais intensos nas entregas de fornecedores, no maior nível desde agosto de 2022, prolongando uma tendência de deterioração observada nos últimos meses.

Inflação acelera e pressiona Fed

Esse ambiente contribuiu para uma aceleração significativa da inflação, conforme destaca o S&P. Os preços cobrados por bens e serviços subiram em abril no ritmo mais forte desde julho de 2022, impulsionados pela elevação dos custos de insumos e pela escassez de oferta. A inflação de custos atingiu o maior nível em 11 meses e o segundo mais alto em mais de três anos, com aumentos disseminados em energia, matérias-primas e custos trabalhistas.

Segundo a S&P Global, o cenário atual impõe um dilema crescente ao Federal Reserve (Fed), que precisa equilibrar a alta da inflação com a fraqueza do crescimento. A avaliação é que poderá se tornar cada vez mais difícil justificar cortes de juros caso as pressões inflacionárias sigam a trajetória indicada pelo PMI, mesmo com a economia avançando apenas modestamente. “Equilibrar os riscos de uma inflação mais alta com a fraqueza do crescimento econômico representa um dilema crescente para o Federal Reserve”, escreveu Chris Williamson, economista-chefe da S&P Global Market Intelligence.

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