Reforma tributária: 2026 será ano de testes sem aumento de impostos
Reforma tributária: 2026 é ano de testes, sem alta de impostos

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu um passo decisivo para a implementação da reforma tributária ao sancionar, nesta terça-feira (13), o projeto de lei que cria o Comitê Gestor do Imposto sobre Bens e Serviços (IBS). A medida é vista como a última etapa regulatória antes do início efetivo do novo sistema, que promete simplificar a cobrança de tributos no país.

Transição gradual e ano de testes em 2026

Em entrevista ao Conexão Record News, o professor doutor em direito tributário, André Felix Ricotta de Oliveira, detalhou o cronograma da mudança. Ele afirmou que 2026 será um ano de testes para o novo modelo. Durante este período, uma alíquota simbólica de 1% será aplicada para avaliar a capacidade de arrecadação dos novos impostos, a Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) e o IBS.

O especialista foi enfático ao destacar que os impostos atuais não desaparecerão de imediato. O ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) e o ISS (Imposto Sobre Serviços) permanecerão vigentes até o final de 2032. "Nós teremos uma fase de transição, o modelo atual não vai acabar do dia para a noite, ele só se encerra efetivamente no final de 2032", explicou Felix.

Garantia de que não haverá aumento da carga tributária

Um dos pontos que mais gera preocupação na população é a possibilidade de os novos impostos representarem um custo maior para os contribuintes. No entanto, o professor garantiu que não haverá aumento da carga tributária com a reforma.

Ele fundamentou sua afirmação na Emenda Constitucional 132, que estabeleceu as bases da reforma. "Tem dispositivos, normas constitucionais que estabelecem que não pode ter um aumento de carga tributária", afirmou. A intenção do projeto, segundo ele, é manter os atuais níveis de arrecadação, mas através de um modelo mais moderno e simplificado.

Funções do novo Comitê Gestor do IBS

O comitê criado pela lei sancionada pelo presidente Lula terá um papel central na nova arquitetura tributária. Suas principais atribuições serão:

  • Arrecadar os recursos do novo imposto.
  • Compensar eventuais diferenças entre estados e municípios.
  • Distribuir os valores arrecadados conforme a legislação.
  • Fiscalizar a correta aplicação do IBS.

Com a sanção presidencial, o país inicia oficialmente a contagem regressiva para uma das maiores mudanças no sistema tributário das últimas décadas. O caminho, conforme explicado, será de cautela, testes e uma longa transição, com a promessa de não pesar ainda mais no bolso do brasileiro.