Queda histórica na indústria potiguar preocupa especialistas
A produção industrial do Rio Grande do Norte enfrentou um recuo significativo de 24,5% em fevereiro de 2026, quando comparada ao mesmo período do ano anterior. Os dados alarmantes foram divulgados nesta quinta-feira (9) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), através da Pesquisa Industrial Mensal Regional. Esta é a primeira vez, desde o início da série histórica em 2023, que todos os setores industriais do estado registraram desempenhos negativos simultaneamente.
Setores mais impactados pela desaceleração
O setor que apresentou a maior queda foi o de fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, com uma redução de 31,5%. Em seguida, as indústrias extrativistas recuaram 19,9%, enquanto a fabricação de produtos alimentícios diminuiu 16,8%. O setor de confecção de artigos do vestuário e acessórios, apesar de ter a menor queda, também registrou um desempenho negativo de 3,9%.
É importante destacar que fevereiro de 2026 teve 18 dias úteis, dois dias a menos que fevereiro de 2025, que contou com 20. No entanto, essa diferença não explica totalmente a magnitude da queda observada.
Análise especializada aponta fatores macroeconômicos
Bernardo Almeida, analista da Pesquisa do IBGE, comentou que os resultados evidenciam "a perda de ritmo industrial que vem sendo observada desde o final do ano passado". Ele acrescentou: "Fatores macroeconômicos permanecem exercendo esses efeitos e nos ajudam a explicar essa leitura, como uma política monetária restritiva, com taxa de juros em patamares elevados, encarecendo o crédito e reduzindo investimentos, afetando diretamente o ritmo da produção industrial".
Desempenho acumulado no ano e em 12 meses
A variação acumulada do ano (janeiro e fevereiro) apresentou percentuais negativos em quase todos os segmentos industriais. A exceção foi a confecção de artigos do vestuário e acessórios, que cresceu 16,2% em relação ao mesmo período do ano anterior.
- Indústrias extrativistas: queda de 14,2%
- Fabricação de produtos alimentícios: recuo de 11,6%
- Fabricação de coque, derivados do petróleo e biocombustíveis: redução de 35,3%
Como resultado, a indústria geral do Rio Grande do Norte acumulou uma perda de 24,8% no primeiro bimestre de 2026.
Já na variação acumulada em 12 meses, em relação ao período anterior de 12 meses, houve desempenhos positivos para a confecção de artigos do vestuário e acessórios (47,8%) e para as indústrias extrativistas (3,8%). No mesmo período, os números ficaram negativos para a fabricação de produtos alimentícios (-2,3%) e para fabricação de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis (-23,4%). Com isso, a indústria potiguar acumulou uma queda de 12,6% nos últimos 12 meses.
A indústria do estado registra quedas consecutivas desde outubro de 2025, mas a magnitude da queda de fevereiro e o fato de todos os setores estarem negativos ao mesmo tempo representam um marco preocupante na trajetória econômica do Rio Grande do Norte.



