Haddad comenta possível taxação de Trump e reforma tributária em 2027
Haddad sobre taxação de Trump e reforma tributária

O ministro da Fazenda, Fernando Haddad, concedeu uma entrevista coletiva nesta terça-feira, 13 de janeiro de 2026, abordando temas cruciais para a economia brasileira e as relações internacionais do país. O foco principal foi a fase final de regulamentação da reforma tributária, que deve ser sancionada ainda hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Reforma Tributária: Transparência e Benefícios para 2027

Haddad destacou que a reforma trará impactos positivos diretos para a população, com previsão de redução no preço de produtos alimentícios. As principais mudanças do novo sistema estão programadas para entrarem em vigor a partir do dia 1º de janeiro de 2027.

Além da simplificação e dos benefícios econômicos, o ministro enfatizou a importância da transparência e da formalização que o novo modelo proporcionará. “Não é só isso que está em pauta, o que está é transparência, é formalização. É uma série de efeitos subsidiários que vão agregar valor para o sistema tributário brasileiro”, afirmou Haddad.

Em seu discurso, o chefe da pasta da Fazenda também exaltou os bons resultados econômicos do governo, citando melhoras nos índices de desemprego e inflação, e fez um aceno positivo ao Congresso Nacional pelo trabalho na aprovação do texto da lei.

‘Vamos ver’, diz Haddad sobre possível taxação de Trump

Questionado sobre o anúncio do governo dos Estados Unidos, liderado por Donald Trump, de taxar países que mantêm relações comerciais com o Irã, Haddad adotou um tom cauteloso. O ministro optou por não se aprofundar no assunto no momento, indicando que a situação será analisada.

“Os Estados Unidos são um país soberano, agora, se eu for comentar cada iniciativa que é anunciada, que são praticamente diários, os anúncios são diários, uma hora é a Groenlândia, outra hora é o canal do Panamá, outra hora é a Venezuela, o sequestro, eu não trabalho, então vamos ver”, declarou, em referência à frequência de medidas surpresa da administração americana.

Defesa do Acordo Mercosul-União Europeia

Outro ponto abordado na entrevista foram as críticas ao acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. Haddad rebateu o argumento de que o pacto poderia acelerar um processo de desindustrialização no Brasil.

Segundo o ministro, essa não é a visão do próprio setor industrial nacional. “Primeiro que não é a opinião da própria indústria. A indústria apoiou muito, a CNI e a Fiesp, apoiaram muito esse acordo”, afirmou.

Haddad defendeu que, em um cenário global conturbado, o acordo abre novas rotas e parcerias, posicionando o Brasil como um ator importante no distensionamento de relações internacionais tensas. “O Brasil pode ter um papel importante no distensionamento dessas relações... E o Brasil tem um papel importante nisso”, completou.

A entrevista consolidou a posição do governo sobre temas econômicos sensíveis, equilibrando comemoração por conquistas domésticas, como a reforma tributária, e uma postura pragmática diante de movimentos imprevisíveis no cenário internacional.