A escalada do conflito no Oriente Médio provocou uma queda histórica nos estoques globais de petróleo. Dados da S&P Global indicam que, em abril, as reservas mundiais encolheram cerca de 200 milhões de barris, uma redução diária de 6,6 milhões de barris. Esse movimento ocorre mesmo com a demanda global tendo recuado aproximadamente 5 milhões de barris por dia, a maior contração desde a pandemia de covid-19. A oferta, no entanto, caiu ainda mais, gerando um desequilíbrio que acende alertas entre analistas do setor.
Conflito afeta rotas estratégicas e infraestrutura
O principal motivo para a queda dos estoques é a interrupção no fluxo de petróleo pelo Estreito de Ormuz, rota vital para o comércio energético global. Desde o início das hostilidades, em fevereiro, o mercado perdeu cerca de 1 bilhão de barris em capacidade disponível. Ataques a infraestruturas energéticas e restrições à navegação limitaram a circulação do produto, elevando o preço do barril do tipo Brent para acima de US$ 110 em alguns momentos.
Nível de reservas se aproxima de ponto crítico
Apesar de os estoques globais ainda somarem aproximadamente 4 bilhões de barris, boa parte desse volume está comprometida com operações logísticas, como o abastecimento de refinarias e oleodutos. Segundo o Goldman Sachs, as reservas estão no menor patamar em oito anos. A instituição calcula que há apenas 45 dias de oferta de produtos refinados, como gasolina e diesel. A redução é mais intensa na Ásia e na África, mas países europeus também registram quedas significativas em estoques de querosene de aviação.
Demanda resiste, especialmente nos EUA
Mesmo com preços elevados, o consumo de combustível se mantém resiliente em algumas economias. Nos Estados Unidos, motoristas ainda não reduziram o uso de gasolina de forma significativa, conforme análise do Morgan Stanley. O país consome cerca de um em cada 11 barris produzidos no mundo. Projeções indicam que os estoques podem atingir níveis críticos até o fim do verão no hemisfério norte, período de maior demanda.
Mercado teme nova disparada nos preços
Analistas alertam para um possível “ponto de inflexão”, no qual a queda dos estoques provocaria aumentos abruptos nos preços. Esse cenário se agravaria se as reservas caírem abaixo do patamar considerado seguro. Embora um cessar-fogo recente tenha trazido alguma calmaria momentânea, os efeitos estruturais do conflito ainda não foram totalmente absorvidos pelo mercado.
Crise expõe fragilidade do sistema global de energia
O episódio evidencia a vulnerabilidade do sistema energético global a choques geopolíticos. A concentração da produção e das rotas de transporte em regiões instáveis continua sendo um risco central. A crise reacende o debate sobre a diversificação de fontes energéticas e a redução da dependência de combustíveis fósseis, tema que ganhava força, mas enfrenta desafios diante de choques de oferta como o atual.
O que observar nas próximas semanas
O comportamento dos estoques nos Estados Unidos será um indicador-chave. Uma queda mais acentuada pode desencadear reações fortes nos preços e aumentar a percepção de escassez global. A evolução do conflito no Oriente Médio seguirá como principal fator de incerteza, com potencial de aprofundar ou aliviar a pressão sobre o mercado de petróleo.



