Aumento do gás de cozinha pressiona orçamento de famílias e pequenos negócios em Ribeirão Preto
Os consumidores de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, já estão sentindo no bolso os efeitos do recente aumento do gás de cozinha. Com um reajuste de R$ 7,11 anunciado para as distribuidoras, o preço do botijão de 13 quilos já sofreu alterações significativas nas revendas da cidade. A alta é pressionada pela disparada do petróleo no mercado internacional e por estratégias de venda da Petrobras, impactando diretamente quem depende do produto para uso doméstico e para garantir a própria renda.
Impacto direto na produção de doces
A confeiteira Janaína Araújo, moradora do Jardim Cristo Redentor, na zona norte de Ribeirão Preto, utiliza pelo menos três botijões por mês em sua produção de doces. Com o fogão sempre aceso para derreter chocolate, cozinhar recheios e assar bolos, seu custo mensal com gás chega a R$ 400. O reajuste representa um gasto extra mensal de R$ 21,33 na produção, totalizando quase R$ 256 no acumulado de 12 meses.
"A gente acaba gastando em torno de dois a três botijões por mês e isso impacta no nosso operacional. O lucro acaba sendo menor no final do mês", afirma Janaína. Ela teme a necessidade de absorver esse custo ou de repassá-lo ao consumidor, o que poderia afastar a clientela. "Tem esse repasse para o cliente, deixando os doces mais caros, e às vezes ele pode diminuir o consumo. Quem consome todos os dias, vai diminuir para duas a três vezes por semana por causa desse aumento", lamenta.
Repasse imediato e frete mais caro
Na distribuidora do empresário Márcio Sestari, o impacto foi imediato. O valor do botijão para retirada saltou de R$ 118 para R$ 125. Para os clientes que precisam que o produto seja entregue em casa, o custo é ainda maior, chegando a R$ 140, reflexo também da alta nos combustíveis.
"Com o aumento no diesel e na gasolina, nós vamos ter que repassar também o preço da entrega. A taxa hoje não sai por menos de R$ 15", explica Sestari. O empresário alerta ainda que o valor pode não parar por aí. "Para nós também vai aumentar tudo: imposto, diesel, gasolina. Então nós vamos ter que jogar isso em cima do custo e, automaticamente, ao longo desse mês o gás pode subir mais um pouco ainda", projeta.
Patamar já elevado e tendência de alta
Levantamentos da Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP) mostram que o valor já vinha em um patamar elevado na cidade. Em dezembro de 2025, o preço médio em Ribeirão Preto era de R$ 110. Em fevereiro deste ano, a média ficou em R$ 108,81, mas com o valor máximo chegando a R$ 122,99 antes mesmo deste novo reajuste chegar às revendas.
Fatores por trás do aumento
A alta nas distribuidoras é impulsionada por uma combinação de fatores nacionais e internacionais:
- Estratégia da Petrobras: A empresa passou a vender cotas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP) em leilões com lances e preços até 100% maiores que os cobrados na tabela oficial. O governo federal anunciou a anulação desse leilão, mas as cargas leiloadas para abril já estão em rota de entrega, mantendo o efeito inflacionário.
- Conflito no Oriente Médio: A guerra envolvendo o Irã, um dos maiores produtores globais de petróleo, gera temor de desabastecimento mundial. Mesmo que a ameaça seja temporária, a especulação faz o preço disparar. Atualmente, o barril de petróleo tipo Brent é negociado na casa dos US$ 90, valor muito superior à média de 2023 e 2024.
- Subproduto do petróleo: Como o gás de cozinha vendido no Brasil é um subproduto do refino do petróleo, quando o barril fica mais caro no exterior, o custo de produção e reposição do GLP sobe automaticamente no país.
Para tentar frear o impacto de futuros aumentos ao consumidor, o governo sinalizou a intenção de recomprar a BR Distribuidora a partir de 2029, avaliando que o controle sobre a empresa poderia ajudar a segurar a inflação dos combustíveis nas bombas e revendas.



