Governo zera imposto de importação de 970 itens tecnológicos e medicamentos
Governo zera imposto de 970 itens de tecnologia e medicamentos

Governo federal isenta 970 itens tecnológicos e medicamentos de impostos de importação

O governo federal anunciou nesta quarta-feira, 26 de março de 2026, a decisão de zerar o imposto de importação de 970 itens, abrangendo bens de capital, produtos de informática e medicamentos essenciais. A medida, aprovada pela Câmara de Comércio Exterior (Camex), que reúne dez ministérios, tem como objetivo principal aliviar as pressões inflacionárias em setores estratégicos e destravar investimentos na indústria brasileira.

Produtos isentos incluem máquinas, equipamentos e remédios para doenças crônicas

Dentre os itens beneficiados pela isenção tarifária, destacam-se máquinas e equipamentos industriais, componentes tecnológicos fundamentais para cadeias produtivas, além de medicamentos para o tratamento de doenças crônicas como diabetes, Alzheimer, Parkinson e esquizofrenia. A lista também contempla insumos agrícolas e industriais, visando reduzir custos em diversos segmentos da economia.

Segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI), o custo de investimento produtivo no Brasil pode ser até 30% maior do que em economias comparáveis, em grande parte devido aos impostos sobre equipamentos importados. A medida busca corrigir essa distorção, promovendo maior competitividade industrial.

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Estratégia combina abertura comercial seletiva com proteção setorial

O movimento ocorre em um contexto de equilíbrio delicado entre políticas de abertura comercial e proteção da indústria local. Enquanto reduz tarifas para produtos sem fabricação nacional ou com oferta insuficiente, o governo endureceu em outra frente, aplicando medidas antidumping por cinco anos contra importações de etanolamina da China e resinas plásticas dos Estados Unidos e Canadá.

Esta estratégia reflete uma tentativa de proteger segmentos industriais expostos à concorrência externa, ao mesmo tempo em que busca destravar investimentos e aumentar a competitividade geral da economia.

Impacto potencial na redução de custos e preços ao consumidor

O impacto esperado da medida é duplo: reduzir custos para empresas, facilitando o acesso a equipamentos e insumos mais baratos, e aliviar preços ao consumidor final, especialmente em setores sensíveis como saúde e tecnologia. Isso se torna ainda mais relevante em um momento de pressão global sobre cadeias produtivas, agravada pela guerra no Oriente Médio e pela alta de energia.

No entanto, o efeito prático dependerá da velocidade de repasse desses cortes aos preços e da capacidade da indústria de transformar insumos mais baratos em aumento de produção, um desafio histórico em um ambiente ainda marcado por juros elevados e incerteza global.

Contexto internacional e reversão de medidas anteriores

O pano de fundo da decisão é um cenário internacional mais adverso, onde economias emergentes como México e Índia têm recorrido a reduções tarifárias pontuais para conter repasses inflacionários. No Brasil, a medida contrasta com ações recentes do governo, que em fevereiro elevou tarifas de itens eletrônicos como celulares e notebooks, gerando reação negativa do mercado e consumidores, o que levou à reversão parcial da decisão.

Agora, com a isenção de 191 itens de forma temporária e 779 de forma permanente, o governo espera não apenas estimular a economia, mas também responder às demandas por maior eficiência e redução de custos em setores críticos.

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