Dólar em alta e petróleo acima de US$ 100: entenda os movimentos dos mercados globais
O dólar iniciou a sessão desta sexta-feira, 27 de março, com uma valorização de 0,18%, sendo cotado a R$ 5,2654 na abertura dos negócios. Enquanto isso, o Ibovespa, principal índice da bolsa de valores brasileira, aguardava o início do pregão às 10 horas. Este movimento ocorre em um contexto de elevada volatilidade nos mercados internacionais, impulsionada por tensões geopolíticas e expectativas econômicas.
Cenário internacional e impacto no petróleo
Nos Estados Unidos, o presidente Donald Trump decidiu estender por dez dias a pausa nos ataques à infraestrutura energética do Irã. Apesar dessa medida, os investidores permanecem apreensivos com possíveis impactos no fornecimento global de petróleo, mantendo um viés negativo observado nas últimas sessões. Os preços do petróleo continuam em alta, com a commodity voltando a atingir a marca de US$ 100 por barril, refletindo a incerteza sobre a duração e os efeitos do conflito no Oriente Médio na economia global.
A reação do mercado ocorre em meio a sinais ainda incertos de negociação entre EUA e Irã. Na quarta-feira, 25 de março, os dois países apresentaram propostas distintas para encerrar o conflito, que completa um mês no próximo sábado, 28 de março, mas não chegaram a um consenso. A Casa Branca enviou ao governo iraniano um plano de paz com 15 pontos, incluindo:
- Proibição do desenvolvimento de armas nucleares
- Limites para mísseis de longo alcance
- Desmonte de instalações de enriquecimento de urânio
- Fim do apoio a grupos como Hamas e Hezbollah
O Irã rejeitou a proposta, classificando-a como "excessiva", e apresentou uma contraproposta com cinco condições, entre elas o fim das agressões, reparações por danos causados durante a guerra e o controle iraniano sobre o Estreito de Ormuz. Mesmo com a troca de propostas, autoridades iranianas sinalizaram alguma disposição para negociar, enquanto os EUA intensificaram a pressão militar e diplomática na região.
Mercados globais em queda e aversão ao risco
Em meio ao aumento da aversão ao risco, o dólar avança frente a outras moedas, e os mercados de juros passam por nova reprecificação diante das expectativas em torno dos rumos da política monetária global. Os mercados globais fecharam em queda na quinta-feira, 26 de março, enquanto o preço do petróleo subia, em um movimento impulsionado pela percepção de que uma redução das tensões na guerra envolvendo o Irã está mais distante.
Nos Estados Unidos, os principais índices de Wall Street registraram perdas significativas:
- Dow Jones: recuo de 1,01%
- S&P 500: perdas de 1,74%
- Nasdaq: queda de 2,38%
Na Europa, o dia também foi de baixa, com o índice STOXX 600 caindo 1,13%, aos 580,84 pontos. Entre os principais mercados europeus:
- FTSE 100 (Reino Unido): recuo de 1,33%
- CAC 40 (França): queda de 0,98%
- DAX (Alemanha): perda de 1,64%
Na Ásia, o movimento foi igualmente negativo, com destaque para:
- Índice de Xangai: queda de 1,1%
- CSI300: recuo de 1,3%
- Hang Seng (Hong Kong): baixa de 1,9%
- Nikkei (Japão): encerrou com baixa de 0,3%
- Kospi (Coreia do Sul): queda intensa de 3,2%
Entre outras negociações relevantes, os metais preciosos também registraram perdas, com o ouro recuando 2,3% e a prata caindo 6,2%.
Agenda econômica brasileira e inflação
No Brasil, a agenda econômica desta sexta-feira inclui a divulgação de dados do setor externo e da taxa de desemprego referente a fevereiro, indicadores que podem influenciar as expectativas sobre a atividade econômica. Caso os números venham próximos das projeções do mercado, a tendência é que os investidores continuem acompanhando com mais atenção o cenário internacional, que tem direcionado o comportamento dos ativos nos últimos dias.
O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo 15 (IPCA-15), considerado uma prévia da inflação oficial do país, subiu 0,44% em março. No acumulado dos últimos 12 meses, o índice registra alta de 3,90%, abaixo dos 4,1% observados no período anterior. Mesmo assim, o resultado de março ficou acima do esperado por economistas, que projetavam uma alta mensal de 0,29% e um avanço de 3,74% no acumulado de 12 meses.
O levantamento do IBGE mostra que todos os nove grupos de produtos e serviços pesquisados tiveram aumento de preços em março, com destaque para:
- Alimentação e bebidas: 0,88%
- Despesas pessoais: 0,82%
- Vestuário: 0,47%
- Artigos de residência: 0,37%
- Saúde e cuidados pessoais: 0,36%
- Habitação: 0,24%
- Transportes: 0,21%
- Educação: 0,05%
- Comunicação: 0,03%
Desempenho acumulado dos principais indicadores
Analisando os desempenhos acumulados, observa-se:
Dólar:
- Acumulado da semana: -0,99%
- Acumulado do mês: +2,38%
- Acumulado do ano: -4,24%
Ibovespa:
- Acumulado da semana: +3,70%
- Acumulado do mês: -3,21%
- Acumulado do ano: +13,41%
Os mercados seguem atentos aos desdobramentos geopolíticos e aos indicadores econômicos, que continuam a moldar as tendências de investimento em um ambiente de incerteza e volatilidade.



