O Comitê de Política Monetária do Banco Central (Copom) divulgou nesta terça-feira, 5, a ata da última reunião, na qual reduziu a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, para 14,5% ao ano. O documento reforça que a extensão e os desdobramentos dos conflitos geopolíticos no Oriente Médio mantêm o cenário econômico incerto, impedindo qualquer sinalização sobre os próximos cortes.
Cenário externo e inflação
Segundo a ata, a incerteza com relação ao cenário externo segue em níveis elevados. Além das tensões no Oriente Médio, a guerra no Irã e as indefinições sobre a política econômica dos Estados Unidos contribuem para a cautela. Caso a inflação global volte a subir, o Federal Reserve pode elevar os juros, o que exigiria maior prudência do Copom.
Atividade econômica doméstica
O Copom destaca que a atividade econômica doméstica mantém trajetória de moderação, conforme antecipado. O arrefecimento da demanda agregada é essencial para o reequilíbrio entre oferta e demanda e para a convergência da inflação à meta. Os efeitos da política monetária restritiva prolongada já se fazem sentir na desaceleração do crédito, especialmente dos créditos livres.
Para o primeiro trimestre de 2026, indicadores preliminares apontam para uma retomada da atividade em relação ao final de 2025, consistente com projeções de crescimento positivo do PIB, embora menor que em 2025.
Política fiscal e recado ao governo
A ata do Copom também aborda a política fiscal, afirmando que ela deve atuar de forma contracíclica para contribuir com a redução do prêmio de risco e favorecer a convergência da inflação à meta. Em recado ao governo Lula, o documento alerta que o esmorecimento no esforço de reformas estruturais e disciplina fiscal, o aumento de crédito direcionado e as incertezas sobre a estabilização da dívida pública podem elevar a taxa de juros neutra da economia, com impactos negativos sobre a potência da política monetária.
Expectativas de inflação
As expectativas de inflação, que vinham em declínio, subiram após o início dos conflitos no Oriente Médio, permanecendo acima da meta em todos os horizontes. Desde a reunião anterior, ficou evidente uma desancoragem adicional das expectativas para horizontes mais longos, especialmente para 2028. O Copom conclui que, em um ambiente de expectativas desancoradas, é necessária uma restrição monetária maior e por mais tempo.
Dessa forma, a magnitude e a duração do ciclo de calibração serão determinadas ao longo do tempo, conforme novas informações forem incorporadas às análises. A decisão é compatível com o cenário atual, em que a duração e extensão dos conflitos geopolíticos e sinais mistos sobre a desaceleração econômica dificultam a identificação de tendências claras.



