Homem encontra filhote de jararaca no quintal em Registro, SP
Filhote de jararaca é achado em quintal em Registro

Um homem de 27 anos, que preferiu não se identificar, encontrou um filhote de jararaca no quintal de sua casa em Registro, interior de São Paulo. O caso ocorreu na Rua Jarbas Rocha, no bairro Vila Ponce, e deixou o morador assustado, especialmente por pensar nos filhos: uma menina de 10 anos e um bebê de apenas sete meses, que costumam brincar no local.

O momento do encontro

O autônomo relatou ao g1 como se deparou com a serpente. “Saí no fundo do quintal para estender uma toalha de banho e me deparei com a cobra. Na hora, lembrei do meu filho”, contou. Segundo ele, o bebê estava dormindo quando o animal apareceu. Para evitar que a cobra entrasse na residência, o homem utilizou uma caixa para direcioná-la de volta ao matagal. “Minha intenção é chamar a atenção dos responsáveis pela limpeza da área”, disse.

O muro da residência faz divisa com os fundos de um quartel, próximo à saída das viaturas. De acordo com o morador, outros animais já apareceram no quintal. “Além dessa cobra, já vimos aranhas e ratos no local. O terreno que faz divisa com a casa está tomado pelo mato alto.”

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Especialista explica riscos

O biólogo marinho Eric Comin identificou a cobra como uma jararaca (Bothrops jararaca), espécie peçonhenta responsável pela maioria dos acidentes ofídicos no Brasil. Ele destacou que o animal possui peçonha “muito potente” e comportamento defensivo, podendo dar botes rápidos ao se sentir ameaçado.

O especialista observou que a ponta da cauda clara e esbranquiçada indica que se trata de um filhote. “Eles movimentam a ponta do rabo para imitar uma lagarta ou verme e atrair presas como sapos, rãs e pequenos lagartos”, explicou. Essa coloração desaparece por volta do primeiro ano de vida da serpente. Comin acrescentou que o padrão geométrico em tons de marrom ao longo do corpo funciona como camuflagem natural. “O desenho imita perfeitamente as folhas secas do chão das florestas, tornando a jararaca quase invisível em seu habitat.”

Segundo o biólogo, enquanto os filhotes se alimentam principalmente de anfíbios, os adultos mudam a dieta para roedores. Por isso, a espécie tem papel importante no equilíbrio ambiental, especialmente na Mata Atlântica. “As jararacas ajudam a controlar a população de ratos e camundongos, evitando a proliferação de doenças como leptospirose e hantavírus”, afirmou. Apesar de perigosa, a serpente também faz parte da cadeia alimentar, servindo de presa para aves de rapina, mamíferos carnívoros e outras cobras imunes ao veneno, como a muçurana. “A presença da jararaca é um indicador de qualidade ambiental”, concluiu.

O biólogo reforçou que, ao encontrar uma serpente, a recomendação é não tentar capturar ou matar o animal. Em áreas urbanas, deve-se acionar o Corpo de Bombeiros ou a Polícia Militar Ambiental para remoção segura. Em caso de picada, a vítima deve procurar atendimento médico imediato para receber o soro antiofídico.

Posicionamento da Prefeitura

A Prefeitura de Registro informou, em nota, que o Setor de Zoonoses não realiza atendimento ou captura de cobras, especialmente espécies peçonhentas. Em ocorrências com esse tipo de animal, a orientação é acionar o CETRAS e a Polícia Ambiental. A administração municipal esclareceu que a propriedade citada não é de responsabilidade da prefeitura e que os proprietários dos terrenos no bairro serão notificados para providenciar limpeza e manutenção de suas áreas. O Centro de Triagem e Reabilitação de Animais Silvestres (CETRAS) informou que o animal não foi destinado ao estabelecimento de fauna de Registro.

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