Alunos atípicos sem aulas há 3 meses por falta de mediador em escola de Porto Acre
Alunos atípicos sem aulas há 3 meses por falta de mediador

Alunos atípicos da Escola Estadual União e Progresso, localizada na zona rural de Porto Acre, a cerca de 60 km da capital acreana, estão sem aulas há quase três meses. A denúncia parte dos pais de dois estudantes que necessitam de mediadores escolares, profissionais especializados no acompanhamento de alunos com necessidades educacionais específicas. De acordo com os responsáveis, as crianças ainda não tiveram acesso ao ensino neste ano devido à falta de contratação desses profissionais.

Estudante com epilepsia e autismo sem frequentar as aulas

Daniel da Silva de Souza, de 13 anos, matriculado no 7º ano, possui laudo de epilepsia e Transtorno do Espectro Autista (TEA). Sua mãe, a autônoma Amanda Rosário Belo da Silva, de 30 anos, relatou que a escola informou não haver previsão para a contratação de um pedagogo da educação especial. "Meu filho é autista verbal, tem laudo, escreve, mas não consegue ficar sem acompanhante. A direção disse que não houve contratação ainda, pois o foco seria primeiro para outras crianças, e alunos como ele ficariam sem mediador até que haja contratação. Desse jeito, ele não fica quieto", explicou Amanda.

A mãe destacou que Daniel já estudou em outras escolas, mas esta é a primeira vez que enfrenta a falta de um mediador. "Meu coração de mãe fica apertado. Já pensei em tirá-lo da escola, mas vejo o quanto ele adora ir e gosta de estudar. Aqui só tem essa escola para a idade dele. Cadeirantes têm mediador, mas autistas não. Só quero que meu filho tenha seus direitos", desabafou em vídeo.

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Outro aluno na mesma situação

Na última semana, o barbeiro Mizael José Magalhães de Araújo, pai de Pablo de Souza Araújo, de 14 anos, também estudante da União e Progresso, denunciou situação idêntica. Segundo ele, o problema se repete todos os anos. Em ocasiões anteriores, o núcleo de educação chegou a contratar um profissional para o aluno.

Mãe solo sonha com o desenvolvimento do filho

Amanda, que é mãe solo, contou que Daniel a ajuda nas tarefas domésticas quando não está na escola, mas seu desejo é que ele aprenda e se desenvolva academicamente. "É um menino muito ágil, lava roupa, limpa casa e está aprendendo a cozinhar. Contudo, o lugar dele é na escola, para aprender e crescer", declarou.

Avó teme que neto perca o ano letivo

A avó de outro estudante de 12 anos, que preferiu não se identificar, relatou que o neto é autista de suporte leve e também tem Transtorno de Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), fazendo acompanhamento multidisciplinar. Ela enfatizou a importância de não interromper os estudos. "Ele chora querendo ir para a escola. Acaba estudando pelo telefone em casa, mas não é a mesma coisa. Fala direto em ir para a escola e pergunta quando as aulas vão começar. É triste ver todo mundo estudando e ele não. Meu neto tem capacidade para ser qualquer coisa na vida. Ele até fala em ser advogado, e vejo esse sonho sendo cortado", disse.

A avó foi até a escola União e Progresso, mas não recebeu a notícia esperada. "A escola diz para ter paciência e esperar os profissionais. Mas quando? Já houve seletiva em março", reclamou. O material didático do estudante foi comprado no final de janeiro e permanece sem uso. "Estou vendo que ele vai perder um ano inteiro de estudo. O material está aqui parado. Ano passado não tinha mediador, mas havia uma assistente, o que já ajudava. Este ano não tem nada. Quem perde é a criança", completou.

Posicionamento oficial

O g1 entrou em contato com a Secretaria de Educação e Esportes (SEE-AC) e com a coordenadora do Núcleo de Educação do município, Sandra Santos, que informou que o órgão se manifestará sobre o caso nesta terça-feira (5).

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