RS lidera importação de pelo de porco para fabricação de pincéis no Brasil
RS é o maior importador de pelo de porco do Brasil

Rio Grande do Sul domina importação de pelo de porco no país

O Rio Grande do Sul se consolidou como o estado brasileiro que mais importa cerdas de suínos, o nome técnico para pelo de porco. Em 2025, os gaúchos adquiriram do exterior impressionantes 167,8 mil toneladas desse produto, o que equivale a 64,7% do total nacional. O valor investido nesse insumo ao longo do período alcançou US$ 1,56 milhão, representando 63,1% do montante gasto em todo o Brasil.

Utilização principal em pincéis imobiliários

O pelo de porco é utilizado principalmente para a fabricação de pincéis, especialmente os chamados pincéis imobiliários, que são empregados na pintura de paredes. Conforme explica Rafael Loose, gerente de Desenvolvimento de Produtos da Pincéis Atlas, "a gente chama de trincha, tecnicamente, mas é pincel tanto de pintura artística, quanto de pintura imobiliária. Eles são originalmente de pelos naturais. Existem vários tipos de pelos naturais que se fazem em pincéis, e um dos mais comuns é o pelo do porco". A escolha desse material se deve à sua capacidade superior de retenção de tinta, uma característica que produtos sintéticos não conseguem replicar completamente.

Origem e processamento das cerdas

O produto é importado majoritariamente da China, chegando ao Brasil já separado para a fabricação dos pincéis. Rafael detalha que "a gente fala que a cerda tem que vir com a raiz, que a gente chama de pé do pelo. A parte de baixo é maior, tem um formato de cone e vai ficando mais fino pra ponta. O processo de produção antigamente era manual, mas hoje é tudo feito mecanicamente". O comprimento das cerdas é um fator crucial na seleção, com animais mais velhos fornecendo pelos mais altos e, consequentemente, mais caros.

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Fatores que explicam a liderança gaúcha

Um dos motivos para o Rio Grande do Sul concentrar a maior parte das importações é a presença de fábricas que utilizam o produto na confecção de pincéis. Além disso, o estado prioriza cadeias produtivas de proteína animal. Embora seja o terceiro maior produtor de suínos do país e o segundo maior exportador, o rebanho gaúcho é majoritariamente destinado ao abate para consumo de carne. Isso impede que os porcos se desenvolvam o suficiente para crescerem pelos firmes e resistentes, adequados para pincéis. Rogério Kerber, presidente da Associação de Criadores de Suínos do Rio Grande do Sul (Acsurs), esclarece que "não é todo o pelo do suíno que é apropriado para a fabricação de pincéis. Alguma parte do pelo do couro tem as cerdas mais fortes e resistentes, mais adequadas em questão de comprimento. Mas o suíno abatido hoje ainda é um animal muito jovem. Tem um pelo mais macio que não teve tempo de se consolidar".

Aumento nos custos e migração para sintéticos

Está ficando mais caro importar cerdas de suínos, principalmente devido a fatores relacionados à China. O sucesso econômico chinês tem levado trabalhadores a buscarem outras profissões, resultando em escassez de mão-de-obra para a separação dos pelos. Essa alta nos custos tem provocado uma reação no mercado, com muitas empresas migrando para cerdas sintéticas para baratear a produção. No entanto, Rafael ressalta que o produto sintético não possui a mesma qualidade do pelo natural, destacando que "ele tem algumas características que outros tipos de cerdas naturais não têm. A principal é que, quimicamente e morfologicamente, ele consegue reter mais tinta do que um fio sintético. Não é possível copiar. É parecido com o pelo do humano, meio escamado e tem as pontas bifurcadas".

Em resumo, o Rio Grande do Sul mantém uma posição dominante na importação de pelo de porco, essencial para a indústria de pincéis, mas enfrenta desafios com custos crescentes e a necessidade de equilibrar qualidade e acessibilidade no mercado.

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