O governo do México anunciou nesta segunda-feira, 5 de agosto, uma medida que impacta diretamente as exportações brasileiras de proteína animal. Foram publicadas duas resoluções que estabelecem volumes específicos para a importação de carnes bovina e suína com isenção de tarifas, criando uma janela de oportunidade para fornecedores como o Brasil até o final de 2026.
Detalhes das cotas estabelecidas pelo México
As novas regras definem limites claros para a entrada dos produtos no mercado mexicano sem a cobrança de impostos de importação. Para a carne bovina, a cota foi fixada em 70 mil toneladas. Qualquer volume que ultrapassar essa quantidade estará sujeito a uma tarifa de 20%. No caso da carne suína, o limite livre de tarifas é de 51 mil toneladas, com uma taxa de 16% aplicada ao excedente.
Estas cotas são válidas para países que não pertencem à América do Norte e que não possuem um acordo de livre comércio vigente com o México. Conforme explicou a Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) ao g1, "a cota basicamente deverá ser utilizada por Brasil, Chile e União Europeia".
Brasil como protagonista no comércio com o México
A medida chega em um momento em que o Brasil consolida sua posição como um dos principais fornecedores de proteína animal para o México. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (Mdic) revelam a importância desses produtos na pauta exportadora.
No acumulado de janeiro a dezembro de 2025, a carne bovina foi o segundo produto mais vendido pelo Brasil para o México, demonstrando a força do setor. A carne suína, por sua vez, ocupou a sétima posição no ranking das exportações, mostrando um mercado significativo e com potencial de crescimento dentro das novas cotas estabelecidas.
Perspectivas e impactos para os exportadores brasileiros
A definição de cotas com isenção tarifária até dezembro de 2026 oferece previsibilidade para os produtores e exportadores brasileiros. A medida permite um planejamento mais seguro das operações comerciais com o México, um parceiro estratégico.
A existência de tarifas para os volumes excedentes às cotas cria um marco regulatório claro. A expectativa é que a maior parte das importações mexicanas se concentre dentro dos limites estabelecidos para aproveitar a vantagem da isenção, beneficiando diretamente os fornecedores qualificados, com o Brasil na liderança.
Com essa ação, o México organiza seu mercado interno de carnes, enquanto o setor de proteína animal brasileiro ganha uma rota comercial consolidada e com regras definidas para os próximos anos.