Preço do feijão-preto sobe com alta demanda e redução na área plantada
Feijão-preto fica mais caro com menor área plantada

O consumidor brasileiro está sentindo no bolso o aumento do preço do feijão-preto nos mercados. O cenário atual combina dois fatores principais: uma procura aquecida pelo produto e uma estimativa de redução na área dedicada ao plantio do grão. A situação ocorre em um momento paradoxal, pois as exportações brasileiras de feijão alcançaram um volume histórico.

Pressão sobre o preço e a produção

A alta no preço do feijão-preto é um reflexo direto das leis de mercado. De um lado, a demanda pelo alimento, base da dieta nacional, se mantém forte. Do outro, os produtores estão projetando uma diminuição na área plantada, o que naturalmente limita a oferta futura e gera expectativa de preços mais altos, impactando o custo final ao consumidor.

Essa decisão dos agricultores pode estar relacionada a diversos desafios enfrentados na lavoura, como custos de insumos, condições climáticas ou a atratividade de outras culturas no momento do planejamento agrícola.

Exportações em ritmo recorde

Enquanto o mercado interno se ajusta a essa pressão de preços, o setor externo apresenta números excepcionais. Dados consolidados mostram que as exportações do grão bateram um recorde em 2025, com um total impressionante de 533,19 mil toneladas embarcadas para outros países.

Esse desempenho robusto demonstra a competitividade do feijão brasileiro no mercado internacional e ajuda a equilibrar a balança comercial do setor, mesmo com os desafios internos de oferta e preço.

Contexto mais amplo do agronegócio

O momento do feijão ocorre dentro de um panorama dinâmico do campo brasileiro. Notícias recentes do setor agropecuário destacam desde o início pontual da colheita de verão no Rio Grande do Sul, com expectativas positivas dos produtores, até a aprovação pela União Europeia do acordo de livre-comércio com o Mercosul, que colocou o agronegócio no centro das discussões.

Outros grãos e produtos também vivem momentos particulares. O mercado de café, por exemplo, segue com negócios em ritmo lento, enquanto o algodão mantém o Brasil na liderança das exportações mundiais. O setor de máquinas agrícolas, por sua vez, prevê um crescimento mais modesto para 2026, após um ano forte em 2024.

Essa conjuntura multifacetada mostra que o agronegócio brasileiro é um conjunto de várias realidades simultâneas, onde um produto pode enfrentar escassez e preços altos no mercado doméstico enquanto atinge volumes recordes de vendas para o exterior.