Milho em queda: oferta e clima pressionam cotações no início de 2026
Cotações do milho caem com início da colheita no RS

O mercado de milho brasileiro enfrenta um cenário de pressão sobre os preços nas primeiras semanas de 2026. A análise realizada pelo Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), divulgada em 13 de janeiro de 2026, aponta que a combinação entre o início da colheita e o comportamento cauteloso dos compradores está influenciando as cotações.

Colheita pontual e expectativa positiva no Rio Grande do Sul

A safra de verão deu seus primeiros passos de forma pontual em algumas regiões do Rio Grande do Sul. De acordo com os pesquisadores do Cepea, os produtores mantêm uma expectativa boa em relação à produção, um otimismo respaldado pelas condições climáticas favoráveis que prevaleceram durante o ciclo da cultura.

O clima cooperativo é um fator crucial para o desenvolvimento das lavouras, e sua regularidade até o momento contribui para a perspectiva de uma colheita sólida no estado.

Compradores em espera e prioridade nos estoques

Enquanto os agricultores se voltam para a operação de colheita, o outro lado do balcão – os compradores – adota uma postura de expectativa. A análise do Cepea indica que esses agentes do mercado estão aguardando um aumento na oferta de milho que naturalmente acompanha o avanço da safra.

Essa estratégia de espera tem um efeito direto na dinâmica de preços. Os compradores têm se afastado das negociações no mercado à vista (spot), o que remove uma fonte importante de demanda imediata e exerce uma força descendente sobre as cotações. Segundo o centro de estudos, a prioridade desses consumidores no momento é utilizar os estoques que foram negociados antecipadamente, em contratos futuros ou de entrega programada.

Foco dos vendedores na colheita, não nas vendas

Do lado da oferta, os vendedores – majoritariamente os produtores – também têm seu foco desviado das negociações diárias. A prioridade absoluta para eles está na colheita, uma operação logística complexa e que demanda total atenção. As atividades de entrega e comercialização no mercado spot ficam, portanto, em segundo plano.

Esse movimento gera um cenário de menor liquidez e atividade reduzida no mercado físico, criando um ambiente onde a pressão para baixo nos preços se intensifica. A falta de vendedores urgentes e a ausência de compradores imediatos formam um vácuo que pesa sobre a valorização do grão.

Conclusão: um momento de transição e ajuste

O início de 2026 apresenta, portanto, um período típico de transição de safra, mas com características que acentuam a volatilidade. A queda nas cotações do milho reflete um equilíbrio momentâneo de forças: de um lado, produtores ocupados com a retirada do grão do campo; de outro, compradores confiantes na iminente ampliação da oferta e, por isso, sem pressa para adquirir novos lotes.

A análise do Cepea serve como um importante termômetro para entender essa fase. A expectativa é que, conforme a colheita ganhe corpo e os produtores comecem a buscar escoamento para sua produção, o mercado encontre um novo ponto de equilíbrio, que dependerá também do volume efetivo colhido e da demanda doméstica e internacional nos próximos meses.