O governo federal destinou R$ 10 milhões para ações de combate ao desmatamento em cinco municípios considerados prioritários no Acre. O recurso faz parte do programa União com Municípios, que prevê regularização fundiária, assistência técnica e incentivo a atividades econômicas sustentáveis. Os valores serão aplicados em Feijó, Manoel Urbano, Rio Branco, Sena Madureira e Tarauacá a partir da segunda quinzena de maio. O objetivo é frear o avanço da degradação ambiental em áreas que historicamente concentram altos índices de desmatamento no estado.
Dados alarmantes de desmatamento
Dados do Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), divulgados em 27 de abril, mostram que Feijó, Tarauacá e Rio Branco estão entre os dez municípios que mais desmataram na Amazônia entre agosto de 2025 e março de 2026. Juntas, as três cidades somaram 101,84 km² de áreas desmatadas no período. Apesar de uma queda de 32% no índice estadual, o cenário ainda é considerado preocupante. O programa federal busca atuar nesses territórios críticos, oferecendo alternativas para quem depende da floresta, aliando preservação ambiental à geração de renda.
Regularização fundiária como base
Durante a apresentação da iniciativa no estado, na quinta-feira (30), o articulador nacional da Presidência do Incra, Márcio Alécio, destacou a importância da regularização fundiária para reduzir o desmatamento. “A gente sabe o quanto é importante o produtor rural ter o documento da terra. A regularização fundiária é prioridade. Já avançamos com mais de 11 mil famílias regularizadas, e esse programa vem para fortalecer ainda mais essa iniciativa na Amazônia”, afirmou.
O programa prevê o atendimento inicial de mais de 600 imóveis rurais no Acre. Em toda a Amazônia Legal, a meta ultrapassa 30 mil propriedades, com novas etapas previstas para ampliação do alcance. O diretor de Ordenamento Ambiental Territorial, Marcelo Trevisan, explicou que a estratégia é direcionar recursos para municípios com mais dificuldades no controle do desmatamento. “Esse programa vem para ajudar justamente esses municípios que precisam de apoio. A ideia é fazer com que o desmatamento diminua a partir de ações concretas, como regularização e recuperação de áreas degradadas”, disse.
Benefícios para reservas extrativistas
Para comunidades tradicionais, como as da Reserva Extrativista Chico Mendes, o programa representa a possibilidade de conciliar conservação ambiental com melhoria de vida. O presidente do Conselho Nacional das Populações Extrativistas, Júlio Barbosa, avalia que a regularização é essencial para conter o avanço da degradação. “Não é possível reduzir o desmatamento sem uma boa política de regularização fundiária e ambiental. Esse é um momento importante, em que o governo federal chega para atender uma demanda histórica dessas comunidades”, afirmou.
Com a terra legalizada, o produtor passa a ter acesso a crédito, assistência técnica e políticas públicas, permitindo planejar a produção sem abrir novas áreas. Além de reduzir o desmatamento, o programa também pretende recuperar áreas já degradadas e impulsionar a economia local com atividades sustentáveis.



