Vila Sahy inicia regularização fundiária três anos após tragédia que matou 64 pessoas
Vila Sahy inicia regularização após tragédia que matou 64

Vila Sahy avança na regularização fundiária após três anos da tragédia que deixou 64 mortos

Três anos após a tragédia provocada pelas chuvas históricas no Litoral Norte de São Paulo, o bairro da Vila Sahy, em São Sebastião, vive um processo de regularização fundiária que representa um marco na reconstrução da comunidade. Em 19 de fevereiro de 2023, deslizamentos de terra causaram a morte de 64 pessoas, em um dos eventos climáticos mais devastadores já registrados no país.

Cadastramento socioeconômico como base da regularização

Desde janeiro deste ano, a Prefeitura de São Sebastião iniciou o Plano de Cadastramento Socioeconômico da Vila Sahy, etapa considerada fundamental para o avanço da Regularização Fundiária Urbana (Reurb). A ação é realizada em parceria com o Instituto Conservação Costeira (ICC) e envolve:

  • Visitas domiciliares detalhadas
  • Aplicação de questionários abrangentes
  • Registros fotográficos sistemáticos
  • Georreferenciamento preciso dos imóveis
  • Atendimento direto aos moradores

Jovens monitores, formados por meio de projetos do próprio instituto e da Escola Técnica Estadual (Etec), auxiliam no trabalho, garantindo que todos os profissionais atuem devidamente identificados e uniformizados durante as visitas.

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Medidas de prevenção e infraestrutura implementadas

Na Vila Sahy foram instaladas barreiras flexíveis e barreiras contra fluxo de detritos, conhecidas como debris flow, projetadas para interceptar materiais em caso de novos movimentos de massa. As intervenções também incluíram:

  1. Construção de muros de gabião
  2. Ações de reflorestamento intensivo
  3. Ampliação do sistema de drenagem
  4. Execução de túneis pelo método tunnel liner sob a rodovia SP-55
  5. Canalizações em colchão reno e aduelas de concreto

Essas obras garantem o deságue adequado no Rio Sahy e representam parte dos R$ 245 milhões investidos na recuperação da área, segundo balanço divulgado pela prefeitura.

A tragédia que marcou o Carnaval de 2023

A tragédia ocorreu na madrugada de 19 de fevereiro de 2023, domingo de Carnaval, após um volume extremo de chuva que registrou a maior precipitação já medida no país. A encosta cedeu e a lama desceu o morro, arrastando casas, veículos e moradores. As chuvas deixaram 851 cicatrizes nos morros da Serra do Mar que cercam a vila, marcas visíveis da força do desastre natural.

Regeneração ambiental e debates sobre o futuro

Atualmente, parte dessas áreas apresenta sinais de regeneração, resultado de ações de reflorestamento conduzidas pela Fundação Florestal. Entre as técnicas adotadas estão o lançamento de sementes por drones e a hidrossemeadura. Após a tragédia, o futuro da área passou a ser tema de debate intenso.

Em novembro de 2023, a Procuradoria-Geral do Estado (PGE) pediu à Justiça a remoção imediata de moradores em áreas de risco e a demolição de imóveis. Meses depois, o governo estadual solicitou a retirada da ação judicial, alegando a busca por uma solução urbanística em diálogo com a comunidade.

Impacto do cadastramento para a comunidade

Os dados coletados no cadastramento permitirão traçar o perfil socioeconômico da comunidade, subsidiar as próximas etapas da regularização fundiária e ampliar a segurança jurídica das famílias. Este processo representa não apenas uma resposta técnica ao desastre, mas um compromisso com a reconstrução social de uma comunidade profundamente afetada pela tragédia.

O trabalho na Vila Sahy continua sendo acompanhado de perto por autoridades e organizações da sociedade civil, que buscam garantir que a regularização fundiária traga estabilidade e segurança para os moradores que sobreviveram à maior tragédia climática recente do litoral paulista.

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