Sylvinho destaca acolhimento na Albânia e foco total em vaga para a Copa do Mundo
O técnico brasileiro Sylvinho, comandante da seleção da Albânia desde 2023, transformou-se em uma verdadeira celebridade no país europeu. Sob sua liderança, a equipe, que ocupa a 63ª posição no ranking da Fifa, garantiu vaga direta para a Eurocopa de 2024 e alcançou o segundo lugar em seu grupo nas Eliminatórias para a Copa do Mundo de 2026, superando adversários com tradição, como a República Tcheca, e ficando atrás apenas da Inglaterra.
Com essa conquista, a Albânia integra o grupo de 16 equipes europeias que disputarão as quatro vagas restantes destinadas à região no Mundial, enquanto outras duas serão definidas em uma repescagem global. Nesta quinta-feira, 26 de março, os albaneses enfrentam a Polônia em partida decisiva, marcada para as 16h45. Se vencerem, avançam para confronto contra o vencedor do duelo entre Ucrânia e Suécia, com Sylvinho podendo se tornar o único treinador brasileiro na Copa.
Expectativa e preparação para o jogo decisivo
"A expectativa é muito grande", afirma Sylvinho sobre o embate contra a Polônia. Ele ressalta que o trabalho de um técnico de seleção vai muito além da semana anterior à partida, envolvendo monitoramento de atletas, análise de adversários e logística intensa. "É a primeira vez que a Albânia disputa um play-off de qualificação para um Mundial, então há uma energia muito positiva sendo vivida no país inteiro", complementa.
Para manter o foco dos jogadores durante o longo período de pausa entre novembro e março, Sylvinho adotou uma estratégia cuidadosa. "Fizemos visitas aos atletas, nos aproximamos dos capitães e passamos mensagens de foco para março — com muito cuidado para não sobrecarregar quem já disputa dois ou três jogos por semana no clube", explica. Ele destaca que a experiência de quase quatro anos na Seleção Brasileira ao lado de Tite foi fundamental para entender essa dinâmica, refletindo-se nos resultados positivos obtidos.
Adaptação cultural e estrutura na Albânia
Sylvinho comenta as diferenças ao assumir uma seleção europeia de médio porte, contrastando com gigantes como Brasil, França e Alemanha. "Há seleções que estão crescendo, como a Albânia. O país fez sua primeira Eurocopa em 2016, a segunda conosco em 2024 e agora o primeiro play-off de Mundial", observa. Ele elogia a federação albanesa por sua estrutura organizada e um centro de treinamento excelente, além de destacar que a decisão de morar em Tirana facilitou significativamente a logística e a eficiência do trabalho.
A relação com o povo albanês é um ponto que emociona o técnico. "O povo albanês é extraordinariamente generoso com os estrangeiros. Nunca fui tão bem tratado em lugar nenhum, e olha que já joguei em grandes clubes de países de primeiro mundo", relata Sylvinho, com risos. Ele compartilha histórias de gentileza, como quando, em restaurantes, alguém discretamente envia um prato típico para sua mesa ou paga a conta, demonstrando um acolhimento que, segundo ele, "preenche o meu 'combustível' e aumenta a responsabilidade de fazermos sempre o melhor para representar esse país".
Visão sobre técnicos estrangeiros e futuro profissional
Questionado sobre a possibilidade de a Seleção Brasileira ser comandada por um técnico estrangeiro, como Carlo Ancelotti, Sylvinho responde com naturalidade, baseando-se em sua própria experiência. "Como eu mesmo sou um técnico estrangeiro comandando a Albânia, a resposta é fácil: vejo com total naturalidade. O Ancelotti é um dos melhores treinadores do mundo, com uma gestão excepcional e vencedora", afirma. Sobre a Copa, ele avalia que o Brasil permanece entre os cinco ou seis favoritos, mas alerta para a imprevisibilidade do torneio, onde detalhes mínimos podem definir a eliminação.
Quanto ao futuro, Sylvinho mantém o foco totalmente voltado para a partida contra a Polônia. "Temos contrato com a federação até o final deste ciclo, e o trabalho construído com a comissão — eu, o Doriva e o Pablo Zabaleta — criou uma essência muito interessante", comenta. Ele não estabelece limites para sua carreira, lembrando passagens por França, Brasil e agora Albânia, e planeja avaliar os próximos passos com calma após o término do contrato em julho.



