Porto de Santos avança com plataforma de inteligência climática para otimizar operações
A Autoridade Portuária de Santos (APS) está implementando uma plataforma de previsão local das condições de mar e tempo, marcando um avanço significativo na gestão portuária brasileira. Esta iniciativa representa a aplicação prática da inteligência climática – capacidade de coletar, analisar e utilizar dados sobre clima e mudanças climáticas para orientar decisões operacionais estratégicas.
Objetivos da implementação tecnológica
Entre os principais objetivos da plataforma estão o aprimoramento do modelo de previsão com foco específico em ventos, ondas, marés e correntes; aumento da transparência na comparação entre dados medidos por estações e modelos previstos; e melhoria contínua da precisão junto aos pontos críticos de segurança na navegação. A APS destaca que a ferramenta visa principalmente aumentar a segurança e eficiência das operações portuárias, além de melhorar a tomada de decisão relativa a questões meteorológicas.
Parceria estratégica e resultados concretos
Em 2024, a gestora do cais santista firmou um acordo de cooperação para desenvolvimento e implementação do i4cast, sistema desenvolvido pela empresa i4Sea. De acordo com Mateus Lima, CEO da empresa, a inteligência climática combina dados e gráficos com o histórico climático da região, oferecendo soluções através de uma plataforma especializada.
"O Porto de Santos é um dos que tem mais tempo de espera, extremamente congestionado. A inteligência climática reduziu o tempo de espera de um de nossos clientes de sete para três dias", revela Lima. "Ela é capaz de otimizar a solução para um gargalo que é o tempo de espera dos navios".
Aplicações práticas na operação portuária
As decisões baseadas na inteligência climática variam desde determinar o melhor momento para fechamento do canal de navegação devido a condições climáticas adversas, até a contratação ou não de turnos de trabalhadores para períodos específicos. Lima cita um exemplo concreto: "Se um gerente de operações sabe que há 75% de chance de o Porto fechar à meia-noite – horário previsto para chegada de um navio – ele precisa decidir como agir. Se o navio chegar nesse horário, pode ficar parado na barra, gerando custos e atrasos. Uma alternativa é antecipar a viagem".
Experiência dos terminais portuários
A inteligência climática tem entrado na rotina dos terminais por exigências crescentes da operação logística no Porto de Santos. A Santos Brasil, um dos principais terminais, começou a utilizar a ferramenta em 2021, inicialmente por conta de restrições às manobras de navios maiores que começavam a operar no porto.
"Fomos identificando que o navio chegava na barra, a operação programada, equipamentos e pessoas requisitadas, o berço livre e o navio não conseguia entrar, aguardando uma próxima maré ou esperar o mau tempo passar. A ferramenta veio para equalizar isso", relata Evelyn Lima, diretora de Planejamento Operacional da Santos Brasil.
Benefícios operacionais e ambientais
Evelyn cita um exemplo específico onde a inteligência climática foi crucial: "O navio iria chegar no início do mau tempo. Ficar esperando na barra gera emissão de carbono e é um custo muito alto. O que ele resolveu? Ir primeiro para Paranaguá, onde havia berço livre, e em 48 horas seguir para Santos".
A diretora explica que a empresa mantém uma equipe que trabalha 24 horas por dia na coordenação, junto com agentes dos navios. "Cinco dias antes da chegada da embarcação é possível ter parâmetros sobre prováveis atrasos. Então, entramos em contato com os armadores e questionamos se valeria fazer um transbordo aqui, ao invés de ficar preso no Sul".
Investimento que vale a pena
"Vale o investimento", afirma Evelyn Lima. "Tem muitos recursos humanos pegando essas análises e materializando isso em uma tomada de decisão. Um time experiente olhando essa configuração de dados faz todo o diferencial". Com a inteligência climática, é possível reduzir significativamente o tempo de um navio atrasado e acertar sua rota de maneira mais eficiente.
A implementação desta tecnologia no Porto de Santos representa um marco na modernização da infraestrutura portuária brasileira, demonstrando como a combinação de dados climáticos com análise estratégica pode transformar operações logísticas complexas, reduzindo custos, aumentando segurança e contribuindo para práticas mais sustentáveis.



