Piracicaba investirá R$ 1,85 bilhão em saneamento básico ao longo de 30 anos
Piracicaba investe R$ 1,85 bi em saneamento em 30 anos

Piracicaba lança plano de saneamento com investimento bilionário para os próximos 30 anos

O município de Piracicaba, no interior de São Paulo, oficializou seu novo Plano Municipal de Saneamento Básico (PMSB), que prevê um investimento total de aproximadamente R$ 1,85 bilhão ao longo de três décadas, entre 2026 e 2055. O documento, publicado no Diário Oficial em 27 de fevereiro, estabelece diretrizes e metas para a universalização e melhoria contínua dos quatro eixos fundamentais do saneamento: abastecimento de água, drenagem urbana e manejo de águas pluviais, esgotamento sanitário, e limpeza urbana com manejo de resíduos sólidos.

Distribuição dos recursos: abastecimento de água recebe a maior fatia

Do montante total de R$ 1,85 bilhão, a maior parcela será destinada ao abastecimento de água, com R$ 1,097 bilhão, o que equivale a 59,26% dos recursos. Em seguida, a drenagem urbana e o manejo de águas pluviais receberão R$ 673 milhões, representando 36,39% do orçamento. O esgotamento sanitário contará com R$ 59 milhões, ou 3,22% dos investimentos, enquanto a limpeza urbana e o manejo de resíduos sólidos terão apenas R$ 20 milhões, correspondendo a 1,13% do total.

O plano justifica o menor investimento no setor de resíduos sólidos pelo fato de o serviço ser concedido à iniciativa privada, com a concessionária assumindo a responsabilidade quase exclusiva pelos recursos. Os investimentos são financiados pelo orçamento municipal e pelas receitas das tarifas de água, esgoto e resíduos, com o período de médio prazo, entre 2030 e 2033, concentrando 43,3% do esforço financeiro.

Metas específicas para cada eixo do saneamento

Abastecimento de água: Apesar de Piracicaba já registrar 100% de atendimento, o plano prioriza a manutenção da infraestrutura e o aumento da eficiência operacional. A principal meta é reduzir o índice de perdas na distribuição, que atualmente é de cerca de 39%, para 25% ou menos até 2055. Para isso, estão previstas a substituição de aproximadamente 869 quilômetros de redes de distribuição obsoletas e a modernização das Estações de Tratamento de Água (ETAs I, II e III), com foco na segurança hídrica. No entanto, o estudo não menciona a construção de represas, estratégia apontada por especialistas para enfrentar o estresse hídrico crônico da região.

Drenagem urbana: Com o segundo maior investimento, o eixo de drenagem visa combater o histórico de inundações na cidade. A meta é garantir que, até 2044, 100% dos domicílios urbanos estejam em situação de segurança frente ao risco de enchentes. No curto prazo, entre 2026 e 2029, será elaborado o Plano Diretor de Drenagem Urbana e Manejo de Águas Pluviais (PDDUMAP), além da inspeção anual de 100% das redes de drenagem e a atualização do cadastro técnico até 2030.

Esgotamento sanitário: Com 100% de abrangência já alcançada, as ações incluem a desativação de estações de tratamento de esgoto (ETEs) de pequeno porte e baixa eficiência, redirecionando o esgoto para sistemas maiores, como a ETE Piracicamirim. O plano também prevê medidas para mitigar a infiltração de águas pluviais na rede coletora, evitando sobrecargas e extravasamentos.

Resíduos sólidos: O plano busca alinhar o município à Política Nacional de Resíduos Sólidos e ampliar os índices de reciclagem. Em 2018, a coleta seletiva atingia apenas 7% dos domicílios, e em 2022, 38,5% dos materiais coletados foram descartados em aterro sanitário devido à baixa qualidade na triagem. As metas incluem a ampliação da coleta seletiva, parcerias com cooperativas de catadores, educação ambiental, expansão do aterro sanitário CTR Palmeiras, e implantação de unidades de compostagem para resíduos orgânicos, visando assegurar destinação final ambientalmente adequada para 100% dos resíduos gerados.