Leilão do megaterminal do Porto de Santos segue sem data após adiamentos sucessivos
Megaterminal de Santos sem data de leilão após adiamentos

Megaterminal do Porto de Santos aguarda definição de data para leilão após série de adiamentos

O tão aguardado leilão do Terminal de Contêineres Tecon Santos 10, no Porto de Santos, continua sem data estabelecida após uma sequência de adiamentos. O Ministério de Portos e Aeroportos (MPor) confirmou que a previsão oficial é realizar o certame em 2026, mas ainda não há um cronograma definitivo para o processo.

Empreendimento estratégico com investimento bilionário

Considerado o projeto mais importante da carteira de leilões do governo federal, o Tecon Santos 10 promete ampliar em aproximadamente 50% a capacidade de movimentação de contêineres no maior porto da América Latina. Com investimento estimado em R$ 6,45 bilhões e contrato inicial de 25 anos, renovável por até 70 anos, o terminal ocupará uma área estratégica de 621,9 mil metros quadrados no cais do Saboó, no litoral paulista.

Segundo o ministério, o edital está em fase de elaboração pela Agência Nacional de Transportes Aquaviários (Antaq) e passa por ajustes técnicos necessários após recomendações do Tribunal de Contas da União (TCU). Em comunicado oficial, a pasta afirmou que o projeto "segue como o mais importante da carteira de leilões do governo federal" e vem sendo tratado com prioridade máxima.

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Cronograma em constante revisão

O planejamento do leilão tem sofrido alterações significativas nos últimos meses. No início de 2025, o ministro Silvio Costa Filho havia indicado dezembro de 2025 como data possível para o certame, com assinatura do contrato no primeiro semestre de 2026. Posteriormente, o cronograma foi atualizado para abril de 2026.

Em fevereiro, durante a CEO Conference Brasil 2026, o ministro afirmou que a expectativa era publicar o edital em março para realizar o leilão em maio. Agora, conforme informações oficiais, a previsão é realizar o leilão em 2026, mas a data específica será definida após análise completa pela Antaq.

Impasses regulatórios e modelo de disputa

Um dos principais obstáculos envolve o modelo de disputa do certame. A Antaq enviou ao TCU a recomendação de realizar o leilão em duas fases distintas. Na primeira fase, ficariam impedidas de participar empresas que já operam terminais de contêineres no Porto de Santos, com o objetivo de reduzir o risco de concentração de mercado.

A maioria dos ministros do TCU acompanhou o voto do revisor, ministro Bruno Dantas, que defendeu a restrição argumentando que "armadores que possuem terminais não ganham apenas com tarifas, mas também com a exclusão de outros armadores que poderiam operar linhas marítimas para aquele porto".

Além disso, o acórdão incluiu determinações importantes:

  • Construção obrigatória de pátio ferroviário interno com capacidade mínima de escoamento pré-determinada
  • Recomendação para avaliação da elevação do valor mínimo da outorga, atualmente fixado em zero
  • Implementação do modelo de duas fases conforme proposta da Antaq

Estrutura do processo licitatório

Conforme a proposta aprovada, na primeira fase do leilão, operadores que já controlam terminais de contêineres no Porto de Santos ficariam impedidos de participar. Caso não haja interessados suficientes, seria aberta a segunda fase, com participação ampliada incluindo os atuais incumbentes. Se algum deles vencer nesta etapa, deverá realizar o desinvestimento de seus ativos atuais antes da assinatura do novo contrato.

A Antaq justifica que essa estratégia reduziria significativamente o risco de maior concentração econômica e operacional sob o controle dos operadores já estabelecidos no complexo portuário. Em nota, a agência disse receber a decisão do TCU "com serenidade" e destacou que a medida demonstra o interesse em preservar a concorrência no setor.

Impacto nacional e internacional

O megaterminal será instalado no Cais do Saboó, na margem direita do Porto de Santos, com previsão de capacidade estática de 3,5 milhões de TEU (unidade equivalente a vinte pés). Este volume representa mais da metade do que foi movimentado no ano passado em todo o cais santista.

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De acordo com a Prefeitura de Santos, com a entrada em operação do Tecon Santos 10, a expectativa é que o Brasil salte da 46ª para a 15ª posição mundial em capacidade de movimentação de contêineres, representando um avanço significativo na infraestrutura logística nacional.

O Ministério de Portos e Aeroportos informou que acatou todas as recomendações do TCU e orientou a Antaq a publicar o edital com as restrições definidas. A data exata do leilão só será estabelecida após a conclusão dos ajustes técnicos em andamento.