Manaus entre as piores capitais em saneamento básico, aponta ranking nacional
Manaus entre piores capitais em saneamento básico do país

Manaus figura entre as piores capitais brasileiras em saneamento básico

A capital do Amazonas, Manaus, ocupa uma posição preocupante no cenário nacional de saneamento básico, segundo dados divulgados pelo Instituto Trata Brasil. O Ranking do Saneamento 2026, baseado em informações de 2024 do Sistema Nacional de Informações em Saneamento Básico (Sinisa), revela que a cidade está na 82ª posição entre as 100 mais populosas do país, integrando o grupo das 20 com os piores índices.

Dados alarmantes sobre acesso a serviços essenciais

Os números específicos de Manaus expõem graves deficiências estruturais. Enquanto o abastecimento de água atinge 97,13% da população, o acesso à coleta de esgoto é drasticamente inferior, ficando em apenas 32,35%. O índice de tratamento do esgoto coletado é ainda mais baixo, alcançando somente 22,78%. Outro problema crítico é a perda de água na distribuição, que chega a impressionantes 45,25%, indicando ineficiência significativa no sistema.

Concentração de problemas nas regiões Norte e Nordeste

O estudo do Instituto Trata Brasil demonstra que as piores condições de saneamento estão concentradas principalmente nas regiões Norte e Nordeste do Brasil. Sete capitais dessas áreas aparecem no ranking devido a dificuldades estruturais e menor cobertura de esgotamento sanitário. Além de Manaus, as cidades com desempenho crítico incluem:

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  • Maceió (AL)
  • São Luís (MA)
  • Belém (PA)
  • Rio Branco (AC)
  • Macapá (AP)
  • Porto Velho (RO)

Investimentos crescentes, mas ainda insuficientes

Entre 2020 e 2024, Manaus registrou um investimento total de R$ 1,4 bilhão em saneamento básico, colocando-se entre as cidades que mais aplicaram recursos no país nesse período. De acordo com a concessionária Águas de Manaus, esse valor supera sozinho o total investido pelas demais capitais da Região Norte no mesmo intervalo, liderando os investimentos na região.

No entanto, quando analisado por habitante, o investimento médio foi de R$ 123,15, valor abaixo do patamar de R$ 225 por pessoa considerado necessário para universalizar os serviços, conforme estabelece o Plano Nacional de Saneamento Básico (Plansab). A média nacional em 2024 foi de R$ 135,89 por habitante, e mais da metade dos municípios analisados investe menos de R$ 100 por pessoa.

Evolução histórica e metas futuras

Apesar dos desafios, Manaus tem apresentado uma melhora gradual no ranking ao longo dos anos. Em 2018, a capital ocupava a 98ª posição, avançando para o 82º lugar em 2026. Segundo a concessionária Águas de Manaus, os investimentos realizados têm contribuído para a ampliação dos serviços, especialmente na rede de esgoto.

Embora o ranking utilize dados de 2024, a empresa afirma que a cobertura de esgoto já supera 40% em números mais recentes, mais que dobrando em comparação com anos anteriores. A meta estabelecida é ambiciosa: alcançar 90% de cobertura até 2033, através da expansão da rede e implantação de novas estruturas de tratamento.

Contexto nacional e perspectivas

O Ranking do Saneamento 2026 serve como um importante termômetro para avaliar as condições de infraestrutura sanitária nas principais cidades brasileiras. A persistência de problemas como esgoto a céu aberto e perdas excessivas na distribuição de água não apenas impacta a qualidade de vida da população, mas também representa riscos significativos para a saúde pública e o meio ambiente.

A situação de Manaus reflete um desafio estrutural que requer investimentos contínuos e planejamento estratégico de longo prazo. Enquanto os avanços são reconhecidos, a distância até a universalização dos serviços de saneamento básico ainda é considerável, exigindo esforços coordenados entre poder público, concessionárias e sociedade civil.

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